Palavras das ruas

Teve início nesta manhã de domingo, na Casa da Cultura, um bate papo com o poeta Sérgio Vaz, idealizador de diferentes iniciativas para dar acesso a cultura ao povo da periferia de São Paulo.

Para a conversa foram convidados os autores Marcelino Freire, Rodrigo Ciríaco e o músico Cocão. O que eles têm em comum? A temática dos trabalhos. Todos escrevem sobre o que acontece as ruas de São Paulo, sobre o cotidiano paulistano, principalmente da periferia. Pode-se dizer que ali, naquele palco, encontrava-se o Estado Maior da Literatura Periférica.
Marcelino Freire disse que acompanha a Flip desde sua primeira edição e que este ano a programação esta muito rica, com grandes autores. Ele divertiu a platéia recitando poemas de cunho sexual.
Já Sérgio Vaz brincou ao dizer que “todo poeta é imortal pois não tem onde cair morto”. Ele também comentou que algumas pessoas chegam até ele para perguntar o que é literatura a periférica – e a resposta é sempre: “o que é literatura grega?”. Vaz ainda contou que o hip hop deu força para a literatura periférica.
O Rodrigo, poeta e professor de história da rede pública, disse que é a 4º vez que atende ao evento. Conta que acha muito engraçado ver as pessoas tropeçando nas pedras das ruas paratienses. Mas que melhor ainda é ver seu trabalho reconhecido.
Cocão, cantor de hip hop, esta pela primeira vez na Flip e disse que agora sim acredita ter futuro, já que está no mesmo bonde que os três citados acima. Ele também confessou que não é de ler muito, mas que que a junção do hip hop com a literatura só engrandece seu trabalho.
Todos os palestrantes concordaram que hoje o governo é o maior leitor do país, contudo, tentam mudar esta imagem e formar um país com cada vez mais leitores. Afinal, a literatura, com certeza, pode transformar uma vida.

Durante a palestra houve manifestação do público, que disse ter sido esta a mesa mais interessante da Flip. Todos pediram que voltassem na 10º edição do evento, em 2012. E assim esperamos!

por Alerson e André

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2 respostas para Palavras das ruas

  1. Regina disse:

    Quando a curadoria anuncia que o homenageado será Carlos Drummond de Andrade, só podemos esperar uma FLIP muito mais acessível e de muitas manifestações poéticas, como a Cooperifa.

  2. Ralf Rickli disse:

    Muito bom o post, mas acho que vale a pena fazer uma pequena ressalva: a expressão, logo no início “dar acesso a cultura ao povo da periferia”, deixa ver o quanto a gente internalizou a ideia difundida pelas camadas dominantes de que o povo periférico “não tem cultura”. Não se trata meramente de “dar acesso à cultura” como algo que não se tem e que vem de fora, e sim, antes de mais nada, da conscientização de que nós na periferia TEMOS nós mesmos uma cultura, SOMOS uma cultura, e reconhecendo-o podemos passar a cultivá-la intencionalmente, levando essa cultura a dar mais flores e frutos do que daria sem essa consciência e investimento de atenção. Claro que o acesso a outras culturas – culturas de outros grupos, outros lugares – TAMBÉM é importante, desde que complementar; junto com a valorização do que é nosso, enriquece, nos torna cosmopolitas, membros da humanidade inteira. Sem a valorização do nosso, não terminaríamos cosmopolitas e sim colonizados, diminuídos.

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