CIRANDA DE PARATY

“QUEM PROCURA O QUE NÃO GUARDA ESQUECE MUITO FACILMENTE”
– MESTRE CHIQUINHO

A 5ª edição do Encontros de Paraty reuniu violeiros, pandeiristas e prosadores de várias gerações numa imensa e emocionante roda de conversa sobre o tema da ciranda na cidade histórica. “Trocando o par”, Leônidas Passos, Pardinho da Tarituba, Zé Malvão e Leandro Doutor fizeram com que o público, que lotou a Casa da Praça, entrasse no balanceia da ciranda, atento às particularidades do que representou a ciranda de ontem, sua importância hoje e como ela resistirá no futuro, ciranda esta que é uma das mais importantes expressões culturais de Paraty.

A ciranda, que tem origens nas danças de salão de Portugal, nas palmas e batidas dos indígenas e na festividade e força africanas tornou-se dança de roda tradicional em vários lugares do Brasil, diferenciando-se em cada região. Segundo Diuner Mello, estudioso da cultura paratiense,

“A Ciranda em Paraty antigamente era chamada de Chiba. Os Chibas, bailes na roça, duravam a noite toda. Lá se executavam vários tipos de danças". Zé Malvão do grupo Os Caiçaras (único violeiro que toca viola pelo meio) contou que quem não dançasse o chiba não podia dançar as “miudezas”, referindo-se às outras danças de salão. Mas então gritaram:

– Troca o par!

E Leônidas, fundador do grupo Os Caiçaras, entrou de rabeca (a qual ele chama de “violino dos pobres”) colada à “caixa do peito”, modo natural de tocá-la, e apresentou a todos esse instrumento que faz parte das cantorias de ciranda e que atualmente é pouco usado em Paraty. Com a voz embargada, lembrou de tê-lo ganho do saudoso Zezinho da Ramira, que, devoto de São Benedito, prometeu que faria três rabecas: uma para Leônidas, uma para a igreja e outra para si mesmo (somente a dele ficou por fazer).

– Olha a cobra!

Leônidas falou da falta de políticas públicas voltadas aos mestres griôs da ciranda, da necessidade de incentivar uma nova geração ao aprendizado de certos instrumentos como a caixa. Muitos andam achando que a cultura da ciranda vai morrer, mas…

– É mentira!

Sim, é mentira, pois aqui e ali surge uma nova juventude que agita a roda da ciranda, como a moçada do grupo Ciranda Elétrica, jovens que fazem uma releitura da ciranda utilizando instrumentos elétricos e que respeitam o legado da melodia e das notas. O grupo sofreu críticas no início, mas foram amparados com o aval dos grandes mestres da ciranda e assim cumprem girar a roda da vida.

– Balanceia na Ciranda eu quero balancear!

O encontro teve vários momentos de tirar o fôlego e percebemos pelo falar do sapateador Pardinho da Tarituba e líder do grupo de danças folclóricas de Tarituba (sobrinho do sempre lembrado Mestre Chiquinho) que o legado vai se perpetuar na roda quando todos derem as mãos. Isso ficou claro no emocionante depoimento do jovem Elisson, nos versos e no pandeiro do Seu Bento, nas mãos dadas de todos que cantaram “Maria põe o barco n’água para navegar…” Flávio Araújo

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Uma resposta para CIRANDA DE PARATY

  1. vani fátima disse:

    muito bom! parabéns!!!!

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