Histórias da Banda Cecília no último Encontro de Paraty

O próximo Encontro de Paraty vai reunir os músicos da Banda Cecília: José Plínio Rubem e Jefferson Núbile com mediação de Marcos Maffei. para contar a história da Banda, do maestro Potinho, da participação nas Festas tradicionais, da exposição e a importância de serem, hoje, Ponto de Cultura.

Histórias da Banda Santa Cecília
Casa da Praça
dia 24 de novembro às 18 horas

 

José Plínio Rubem, ao voltar do Rio de Janeiro em 1952, ocupou o cargo de secretário de obras da prefeitura de Paraty por 18 anos, quando então pediu sua exoneração. Tornou-se distribuidor da Skol na cidade até sua aposentadoria. “Revendo algumas fotos da minha infância, observei minha inclinação pela música, quando assisti pela 1ª vez um desfile de 7 de setembro, desfile que não pude participar porque faltei muitas aulas por causa da doença de meu pai e também tinha que trabalhar.”Revendo algumas fotos da minha infância, observei minha inclinação pela música, quando assisti pela 1ª vez um desfile de 7 de setembro, desfile que não pude participar porque faltei muitas aulas por causa da doença de meu pai e também tinha que trabalhar.” Seguir essa inclinação tornou-se possível por volta da época que voltou do Rio, quando foi criada a Escola de Música da Congregação Mariana, onde ele teve aulas com o Maestro Potinho e participou da fundação em 1954 da Sociedade Musical Santa Cecília, da qual é ativo integrante até hoje.

Jefferson Núbile, paratiense, estudou teoria musical com o maestro Potinho aos 12 anos por incentivo do pai, trombonista da banda. Ingressou na sociedade musical em 1982. Em 1989 estudou na escola nacional de música do Rio de Janeiro. Iniciou no mesmo ano a faculdade de arquitetura na UFRJ. Desde 1992 trabalha como projetista e construtor, alem de topógrafo, designer, fotógrafo e artista gráfico. Após a morte do maestro Potinho se dedicou a dar aulas gratuitas de teoria musical na sede da banda. Há sete anos se especializou em regência através de curso de musicalização do Conservatorio de Tatui. Hoje esta a frente da regência da sociedade Santa Cecília.

Marcos Maffei é escritor e tradutor. Tem publicadas adaptações de clássicos para crianças e mais de 40 livros traduzidos, entre os quais se destacam Adeus, ponta do meu nariz!, de Edward Lear, Frankenstein de Mary Shelley, A volta do parafuso, de Henry James, Cinco crianças e um segredo, de Edith Nesbit, e Alice através do espelho, de Lewis Carroll (sobre o qual participou da mesa “Alice e o mundo das imagens” com Luiz Zerbini na FlipZona 2011). Natural de São Paulo, capital, morou pela primeira vez em Paraty de 1989 a 1992; depois em 1997-98; e então desde 2005 – sempre tocando saxofone sopranino na Sociedade Musical Santa Cecília. Em 2007, organizou na Casa da Cultura de Paraty, em colaboração com Evandro Panaro, a exposição “Maestro Potinho: música e história”.

A História da Banda Santa Cecília

As Bandas de Música sempre tiveram um papel importante na vida musical e cultural da cidade de Paraty ao longo de sua história, seja como meio de produção, prática e difusão da música instrumental – na confluência entre o erudito e o popular tão característica da história da música brasileira –, seja por sua participação fundamental nas festas religiosas tradicionais, no Carnaval e em outros eventos. Tanto era assim que, em 1920, quando a cidade já entrara fazia algumas décadas em seu período de isolamento geográfico e estagnação econômica, ainda havia duas bandas em atividade em Paraty: a 25 de Dezembro e a Lira da Juventude.

A Sociedade Musical Santa Cecília é a sucessora dessas duas bandas, cuja história vinha do século XIX, tendo a Lira da Juventude, fundada em 12 de dezembro de 1899, persistido em suas atividades até o fim da década de 1940. Por um período, a cidade ficou sem banda; mas os músicos remanescentes da Lira – que contara com alguns grandes compositores e maestros locais, como Ditinho Borges e Zizinho Rubem – logo trataram de suprir essa grave lacuna, criando no começo da década de 1950 a Escola de Música da Congregação Mariana, presidida por Aldemar Duarte e sob a direção de Benedito das Flores, mais conhecido como Maestro Potinho.

Em 1954 a nova banda já iniciara suas atividades, retomando o repertório das anteriores e com novas composições e arranjos do Maestro Potinho, com 4 de abril de 1954 constando como a data oficial de fundação da Sociedade Musical Santa Cecília.

Desde então, a sua participação nas festas tradicionais, em outros eventos e na vida cultural como um todo da cidade vem sendo ininterrupta, o que faz da Sociedade Musical Santa Cecília a mais antiga instituição cultural em atividade em Paraty. Seus integrantes são, seguindo a tradição, músicos quase todos amadores, provenientes dos mais variados estratos sociais e culturais da cidade.

A banda por eles constituída, de instrumentos de sopro (metais e palhetas) e percussão, desempenha um papel indispensável na preservação do patrimônio imaterial da comunidade: a Sociedade Musical Santa Cecília toca em todas as procissões que ocorrem nos dez dias da Festa do Divino (maio), Festa de Santa Rita (julho), Festa de Nossa Senhora dos Remédios (setembro), e da Festa de São Benedito (novembro); toca nas Procissões do Encontro e do Enterro na Semana Santa; na de Corpus Christi, e em inúmeras outras festas religiosas da zona rural e costeira, com destaque para a de São Pedro na Ilha do Araújo (que inclui uma procissão marítima); e anima todas as noites do Carnaval, tocando um repertório de marchinhas e sambas tradicionais.

Além disso, é convidada a tocar em inúmeros outros eventos culturais da cidade (incluindo a FLIP), e realiza ensaios todas as semanas às terças-feiras, abertos ao público (sendo frequentemente assistida por turistas). Tudo isso faz da banda de Paraty, a Sociedade Musical Santa Cecília, uma instituição que é uma referência no imaginário cultural da cidade, para todas as suas camadas sociais – e também um importante e inesquecível atrativo cultural a agregar valor à principal atividade econômica da cidade, o turismo.

E é importante destacar que boa parte do repertório corrente da Sociedade Musical Santa Cecília é constituído por composições (dobrados, valsas, hinos, sambas, etc.) de paratienses, integrantes de suas bandas mais antigas como Ditinho Borges e Zizinho Rubem, e sobretudo de Benedito das Flores, o Maestro Potinho (1921-1998), que foi integrante da Lira da Juventude, e fundador, maestro, compositor e arranjador da Santa Cecília até sua morte. Desse modo, a Sociedade Musical Santa Cecília possui um rico acervo de mais de 300 partituras manuscritas, muitas delas da primeira metade do século XX, estando entre os objetivos a médio prazo da instituição a adequação das condições de conservação, a catalogação e análise musicológica, e a circulação desse acervo.

Por fim, é interessante observar que a Sociedade Musical Santa Cecília, em seus mais de cinqüenta anos, participou de uma variedade de produções cinematográficas e televisivas, como Brasil Ano 2000, Gabriela, Como era gostoso meu francês, O quinto macaco, O sorriso do Lagarto e Hoje é dia de Maria, entre outras.

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s