Walcyr Carrasco e João Ubaldo Ribeiro discutem Jorge Amado

Hoje aqui na Flip rolou um debate sobre Jorge Amado com Walcyr Carrasco e João Ubaldo Ribeiro. O encontro aconteceu na Casa da Cultura como parte da programação paralela do evento. A Flipzona, claro, estava lá para conferir e contar tudinho. Espia só o que foi dito e discutido.

João Ubaldo falou sobre Jorge Amado e a presença das obras dele em nossas vidas, considera um dos maiores escritores não só do Brasil, mas do mundo todo, e ainda é responsável pelo que chama de ”A descoberta do Brasil”.  Antes de Jorge Amado, o negro não existia como personagem fundamental – e o escritor baiano trouxe isso para a superfície. João Ubaldo, que conviveu com o autor, diz que Gabriela é igual a Jorge Amado – “Gabriela tem a facilidade de receber quem a ama e Jorge era conhecido como um comedor”.

A obra do autor de Mar Morto gera polêmica nas escolas por abordar a temática da sexualidade, o que faz com que alguns professores, até mesmo por questões religiosas, censurem os livros para os alunos não lê-los. E muitos alunos também acabam ficando irritados com os livros por causa das perguntas complexas feitas em avaliações após a leitura. Os próprios autores disseram que já aconteceu  de  nem eles saberem responder perguntas sobre suas próprias obras.  ” Livro não é pra ser dado como remédio mas sim como fonte de prazer”, disse João.

O assunto de leituras obrigatórias foi bem discutido, obrigar a ler pode gerar aversão, principalmente se considerarmos as provas de tomada de leitura – literatura é subjetivo, provas não. Mas não passar leitura nas escolas também pode prejudicar o futuro de cidadãos não leitores. O assunto é complexo e controverso.

Walcyr Carrasco, atual roteirista da mais nova adaptação de Gabriela para  novela, leu a obra pela primeira vez aos 12 anos de idade. A adaptação que ele fez retrata muito sua visão em relação à obra.

Ela não usa palavras que na estão no livro, mas sim expressões ditas na época da concepção da obra. Sobre fazer adaptação, Carrasco acha que só pode ser feita se realmente amar um autor e, nesse caso, entender como Jorge vê mundo.

Walcyr não é fiel ponto a ponto, mas tampouco trai a visão de Jorge. A novela traz muitos aspectos que não estão na obra, mas na releitura dela. Ele não segue as ordens dos acontecimentos que estão no livro, mas esses acontecimentos estão presentes.

Para Walcyr, ”autor é muito ciumento” em relação às suas obras e a fidelidade total à obra não se encaixaria muito bem, por isso ele recria e coloca sua própria visão de Gabriela.

Walcyr ainda disse que a novela vai vender Jorge Amado para o mundo todo e que isso vai reviver o autor – e que a novela leva, em 90% dos casos, à leitura do livro. Ele vê Gabriela como uma mulher livre e que não se vende, retrata ela como ele lê no livro e remete ao romance e não à novela com Sônia Braga passada a anos atrás.

Enfim, a palestra foi densa e descontraída ao mesmo tempo, com discussões ricas e esclarecedoras. Ao fim os autores ainda responderam às perguntas da plateia, que estava um pouco crítica com a falta de fidelidade da adaptação de Gabriela feita por Carrasco .

Texto: Rafaela Marsico

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s