Zuenir Ventura esteve entre nós

O auditório da FlipZona teve a honra de receber hoje de manhã o escritor e jornalista Zuenir Ventura, que aos 81 anos veio falar com os jovens a respeito de sua vida, carreira e livro que está lançando este ano. O auditório estava lotado com representantes de várias gerações.

Com a boa mediação de Verônica Lessa, Zuenir começou falando sobre sua infância em Nova Friburgo, no Rio, onde foi criado (ele nasceu em Além Paraíba, Minas Gerais). Por causa da condição de sua família, teve de trabalhar desde muito cedo,começou aos 11 anos, como ajudante de pintor.

Já a decisão de ser escritor foi bem mais tarde, já na faculdade. Ele desejava ser professor, mas por intermédio de um dos seus professores, que o levou para trabalhar em um jornal, acabou jornalista.

Colunista do jornal O Globo, ele tem que fazer matérias semanais com prazo de entrega, o que não lhe agrada tanto. Sempre leitor, Zuenir nos contou que desde pequeno é fascinado por livros, mesmo não tendo na época acesso às obras ou quem indicasse o que ler. Seu livro favorito é Moby Dick, do americano Herman Melville. E é exatamente a baleia Moby Dick, que derrota os caçadores, o personagem que ele mais gosta.

Segundo ele, o jornalista surgiu antes do escritor, trazendo uma visão curiosa,  a alma do jornalismo. Na década de 1990, Zuenir passou 10 meses na favela carioca Vigário Geral. Dessa experiência nasceu o livro Cidade Partida, em que ele relata o contexto social por trás do tráfico. “O traficante também tem família”, disse ele. “Esse encontro mudou muito a minha cabeça, foi uma experiência muito forte. Moro em Ipanema e de lá até a favela eram 30 minutos. Nesse espaço de tempo encontravam-se dois mundos diferentes.”

Um de seus sonhos é agora, 20 anos depois, poder escrever o livro Cidade Unida, reflexo de uma sociedade que une morro e asfalto sem preconceitos. O escritor elogiou as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

Outra experiência que ele relatou foi na Amazônia, onde conseguiu a principal testemunha do crime contra Chico mendes. Ele precisou abrigar o jovem em sua casa por 5 anos, pois o garoto estava sendo ameaçado de morte.

Em seu novo livro, Sagrada Família, ele mistura “memórias próprias, emprestadas e inventadas” para falar de uma família da década de 1940. Zuenir revelou que o menino protagonista da obra seria seu alter ego. O título, como ele disse, é um pouco irônico porque o texto tenta provocar uma reflexão sobre o modelo de família que se se tinha e o que se tem hoje.

Sagrada Família é uma ficção e Zuenir disse que preferiu escrevê-lo, sem ter que se prender apenas aos fatos reais, em comparação com o estilo jornalístico, onde não é possível inventar. Embora tenha demorado 10 anos para lançar o livro, ele disse que não o escreveu de uma vez.

Ao fim da entrevista, Zuenir disse que pra ser jornalista é importante ter humildade, “como necessidade e não só como princípio”, indo atrás da informação e de quem realmente sabe. “Importante é saber quem sabe”, ensinou.

Ele disse que espera que daqui a alguns anos saiba que a palestra da FlipZona incentivou os jovens que lá estiveram a gostarem mais de ler. Posso dizer que a mim ele incentivou, acho que aos outros também, pois depois de tanta simpatia e sabedoria do autor, o público retribuiu com uma calorosa salva de palmas em pé.

TEXTO: Catarina Esposito

 

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