Relembrando Bartolomeu Campos de Queiroz

A FlipZona marcou presença na mesa “Movimento Por Um Brasil Literário”, na Casa da Cultura, ontem, às 19h30. Foi uma mesa onde três mulheres, Elisabeth Serra, Ninfa Parreiras e Nilma Lacerda homenagearam o escritor mineiro Bartolomeu Campos de Queirós.

Lá recitaram o poema: Procura da poesia, de Drummond.

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Em um vídeo passado na ocasião, Bartolomeu falou que ler é a mesma coisa de escutar – você escuta o que o autor tem pra falar.

Ela também contaram que Bartolomeu foi presidente da Fundação Clóvis Salgado e trabalhou em diversos projetos nas áreas de educação e cultura. Uma história dele que ficou famosa foi a do chafariz.

Havia um chafariz em frente a uma biblioteca, e as crianças de rua adoravam brincar ali, o que era prejudicial para a biblioteca pois afastava os leitores. Foi então que  Bartolomeu estabeleceu uma hora para que todas as crianças tomassem banho. Ele fornecia sabão, shampoo e o resto dos itens de higiene, ao final ele ainda fazia a hora da leitura com essas crianças de rua. Bartolomeu foi até premiado por essa ação.

Outra iniciativa legal do autor mineiro foi quando foi visitar uma escola. Ele gostava de ir à cantina para fumar ou para comer mesmo. Chegando lá, viu uma sopa com boa aparência e decidiu provar, mas então viu a precária condição dos pratos e talheres da escola. Ele até comeu, mas estava ruim, pois a panelinha estava toda enferrujada. Foi aí que resolveu falar com a diretora. A senhora diretora ficou bastante constrangida, e mudou tudo. Depois Bartolomeu escreveu um livro sobre isso.

Elisabeth falou um pouco mais e disse que “sempre busquei minhas forças em Bartolomeu”. As três eram amigas do autor e terminaram a palestra com mensagens de saudades.

Texto: Samuel Leão, 14 anos. 

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