Drops da Márcia na FlipZona

A FlipZona recebeu nesta tarde a visita da tradutora Márcia Bodanzky. Ela está divulgando os Drops da Márcia, uma série de vídeos no Youtube na qual Márcia fala de sua relação com seus livros e autores favoritos.

Como surgiu seu interesse?

Meu interesse pela literatura nasceu comigo, porque meu pai é editor, se chamava Arthur Neves. Eu cresci em meio aos livros, por causa da profissão do meu pai. meu pai fundou a editora Brasiliense, em São Paulo, junto com Caio Prado Junior, e foi editor de Monteiro Lobato. Vem daí, dessa herença do meu pai, esse amor aos livros.

O que são so Drops da Márcia?

Os Drops da Marcia são uma série de vídeos que estou postando há um mês. Eu fiz um por semana, mas o amor à Literatura é da vida inteira. Inicialmente eu comecei a fazer poemas e a traduzir. Meu marido, o cineasta Jorge Bodanzky, me disse: “olha, Marcia, você fala tão apaixonadamente da literatura… Por que que você não faz uns vídeos sobre cada autor que você gosta?” Então a idéia foi essa, mas é muito recente e eu estou aberta a críticas e sugestões.

Qual livro você mais gostou de traduzir?

Eu nem coloquei todos os que eu gosto, né? Layan Mackivan, que é um escritor famoso que tá aqui, deu uma entrevista na semana passada e disse o seguinte: “amar um livro é como amar uma pessoa”. Então, eu, que sou tão fiel no reino pessoal, no reino da literatura eu sou bem infiel, gosto de muitos [risos].

 

Há quanto tempo você faz os videos?

O primeiro vídeo que eu fiz foi sobre Tolstói, um escritor russo que eu adoro. Ele fez Ressurreição, Ana Karenina, Guerra e Paz… Mas no meu Drops eu analiso uma novela que ele fez, chamada “A Felicidade Conjugal”. Apesar de ser naquela epoca um homem já maduro, mais velho, ele escreve como uma mocinha de 16 anos. É ela que fala e é pela linguaguem dela que ele transmite a história dela, uma história linda. O que eu tentei fazer com esse vídeo é provocar, principalmente nos jovens, o amor pela leitura — que eu acho que é como uma doença, quando você é contaminado por essa doença e não larga mais. O Hemingway, que tem um livro chamado Paris é uma festa, diz uma frase lindíssima. Ele diz que Paris é uma espécie de festa móvel, e você leva Paris onde quer que você vá.” Eu acho que a Flip é uma festa móvel, e onde quer que você vá, você vai levar os livros consigo.

Qual foi a sua maior inspiração pra serguir essa carreira? Foi o seu Pai?

Eu comecei a ler muito cedo. Minha casa era cheia de livros, e continua sendo. Meu pai não fazia muita censura, ele era um homem muito inteligente, de esquerda,
e ele abria a biblioteca pra eu ler o que eu quisese. Eu lia coisas que eu não tava nem preparada pra ler, mas isso criou em mim um amor pela literatura, e depois a educação e a maturidade fazem que você bote cada livro na sua prateleirinha mental. A cultura é uma coisa cumulativa, e então você pode, por exemplo, pegar um jovem e treiná-lo pra ser um webdesigner ou digitador num curso pequeno, mas você não vai fazer desse jovem um homem culto e inteligente só com isso. A cultura leva tempo.

Qual é o seu objetivo com este trabalho?

Seria muita prentensão minha dizer que eu tenho um objetivo… Eu acho que foi mesmo uma expressão, uma declaração de amor aos livros. Falei do Tolstói, da Simone de Beauvoir, a autora com quem tive uma maior proximidade, já que traduzi as 304 cartas de amor que ela trocou com o Nelson Algreen. Trabalhando neste livro, eu fiquei sabendo mais coisas sobre a França, mais coisas sobre a guerra, sobre a resistência, sobre a libertação de Paris. Monteiro Lobato veio dessa ligação com meu pai, que foi editor dele. A literatura infantil do Lobato é tão imaginativa, tão livre, mostra para as crianças isso que eu acho que é o papel mais importante: que a leitura não é uma coisa enfadonha e chata como alguns professores fazem questão de dizer para os alunos. A leitura é um prazer, saber e aprender coisas é uma alegria. Você tem que ter opiniões próprias, como a Emília, que é uma bonequinha solta, que pensa e fala o que quer. Fala até asneiras, tem até a torneirinha das asneiras, mas a gente tem que ter essa voz, né, e eu mostro que gosto dos autores que transgridem, que não são acomodados. Rimbaud, um poeta que nasceu em 1843, escreveu apenas dos 15 aos 20 anos. Mas ele causou uma revolução em tudo, nos costumes, nas letras, em tudo, porque ele era tão rebelde que os jovens de hoje parecem caretas. Você tem que ter coragem de fazer uma coisa que reflita um pensamento inovador, que vai contra a corrente, senão você cruza os braços e não vai fazer nada.

Entrevista dada a Vidjaia Rosário (16), Ana Clara (14), Duane Alcântara (16) e Janice Ferreira (15).

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