O autoritarismo, por Gabeira e Luiz Eduardo Soares

Uma das mesas mais esperadas da Flip aconteceu na noite quinta-feira na tenda principal. Fernando Gabeira e Luiz Eduardo Soares, com mediação de Zuenir Ventura, falaram sobre autoritarismo. O encontro foi um dos mais aplaudidos da festa.

A conversa começou com falas afirmando que, no Brasil, existe um histórico persistente de autoritarismo na relação Estado e sociedade. Segundo eles, uma ditadura pode ser totalitária ou autoritária, esta última se refere ao excesso no exercício da autoridade.

Gabeira disse que seu trabalho tem foco na relação entre o governo e o povo. Para ele, a cultura do Brasil ainda é muito autoritária, embora tenhamos tido avanços significativos do ponto de vista dos direitos individuais, citando as decisões em relação ao aborto, união de homossexuais e marcha da maconha.

Mas o jornalista e escritor fez uma ressalva: “Avançamos nessas questões pelo Supremo Tribunal Federal e não pelo processo político. Isso é uma forma de autoritarismo”.

O antropólogo e escritor Luiz Eduardo disse que o crescimento econômico e a diminuição das desigualdades são promissoras. Entretanto, acusou o Estado brasileiro por ainda ter descaso com negros e pobres, pois entre 2003 e 2011 ocorreram 9200 mortes por policiais no Rio de Janeiro. Para ele nós nos acostumamos com esses fatos e os tratamos como comuns apesar do absurdo que são. “Nós acostumamos conviver com a barbárie. Isso é um enigma ético”, disse ele, mesmo relembrando que é um otimista.

A mesa trouxe o debate sobre de segurança pública, tendo como tema as UPPs. O modelo de pacificação foi elogiado por Luis Eduardo, que afirmou que nunca tinha visto a polícia entrar nas comunidades de forma amistosa como esta que vem ocorrendo. Gabeira, por sua vez, falou que o problema é a falta de estrutura, pois não haverá policiais treinados em número suficiente para ocuparem todos os locais do Estado.

Foi perguntado sobre o modelo de governo de Dilma Rouseff e quanto a isso os entrevistados concordaram dizendo que a presidenta é um pouco fechada, não exatamente autoritária, mas rígida pois procura controlar os meios de comunicação como pode. Gabeira lembrou a relação da presidente com o congresso, uma relação distantaciada, por orientação, segundo ele, dos marqueteiros.

Ao final do debate, o trio disse que o Brasil, embora seja ainda autoritário em relação a homossexuais e outros aspectos sociais, a sociedade está mudando e tende a melhorar ainda mais.

Texto: Catarina Esposito, 18 anos

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