Graciliano e sua veia comunista

Graciliano Ramos de Oliveira, nordestino. Primeiro de dezesseis irmãos de uma família de classe média. Romancista, cronista, contista, jornalista, político e comunista.

Foi eleito em 1927 prefeito de Palmeira dos Índios, tomando posse no ano seguinte. Renunciou ao cargo dois anos mais tarde. Sua maneira de escrever os relatórios ao governador do estado chamaram a atenção dos leitores pela qualidade literária, característica pouco comum na maioria dos políticos brasileiros da época.

Entre 1930 e 1936, ele viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial e professor e diretor da Instrução Pública do Estado. Durante esse período, Graciliano revolucionou os métodos de ensino da época. No entanto, devido às suas ideias – consideradas extremistas – foi demitido.

Foi preso em 1936, sem culpa, e ficou fichado na polícia política como “suspeito de exercer atividade subversiva”, na época em que eclodiu a rebelião comunista de 1935. O escritor não entendia muito bem o motivo de sua prisão, já que não era militante, transgressor ou marxista convicto, e sim um “pacato homem do interior, metido a escritor”.

Em seu local de cárcere encontravam-se  Olga Benário e Luís Carlos Prestes. Graciliano escreveu uma forte crítica quando Olga foi entregue aos nazistas. Ao sair da prisão, escreveu “Memórias do Cárcere”, que só seria publicado após sua morte, em 1953.

Graciliano só se tornou comunista em 1945, ao ingressar no PCB, convidado por Prestes. Na militância do partido, lutou contra o nazifascismo, pela volta da democracia e pelo fim do Estado Novo. O escritor chegou até a se candidatar ao cargo de deputado federal por Alagoas, porém parecia não desejar a própria eleição. Ao invés de se empenhar em sua campanha eleitoral, deu-se por satisfeito em encaminhar um manifesto aos seus amigos. Isso não bastou para elegê-lo.

O autor mantinha uma certa autonomia com relação às diretrizes partidárias, não concordando com algumas determinações do partido. Ele fez algumas críticas ao real socialismo e a alguns aspectos de vida na URSS, para onde viajou com sua esposa. Ao retornar, escreveu o livro “Viagem”, em que relata essa experiência.

“Paulo Bittencourt gostava de provocar Graciliano por suas ideias socialistas. Quando o Correio da Manhã recebeu novas máquinas, Paulo o alfinetaria:
– Imagine se vocês fizessem uma revolução e vencessem. Todo esse parque gráfico seria destruído.
Graciliano o cortaria:
– Só um burro ou um louco poderia pensar isto. Se fizéssemos a revolução e vencêssemos, só ia acontecer uma coisa. Em vez de você andar por aí viajando pela Europa, gastando dinheiro com mulheres, teria que ficar sentadinho no seu canto, trabalhando como todos nós.”

O Velho Graça, Dênis de Moraes – 2012

Texto: Matheus Nubile, 21 anos
Revisão: Ana Liz Justo
Imagem: reprodução graciliano.com.br

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