Eu e a Flip, por Gabriela Marsico

Hoje quem conta pra gente sobre sua relação com a Flip é a Gabriela Marsico, de 17 anos. A Gabi começou como aluna da Flipinha e hoje trabalha como monitora na Central FlipZona.

“Minha história com a Flip começou há muito tempo. Acredito que aos oito anos de idade, quando me mudei para Paraty.

Nessa época eu não saía das oficinas da Flipinha, que eram realizadas em um dia específico da festa literária. Queria fazer de tudo e ficava chateada quando não dava tempo. Era oficina de boneca de pano, de origami, de fuxico… Certo dia estava tão distraída que esqueci os óculos escuros da minha mãe por lá – escutei muito quando cheguei em casa! Nos dois anos seguintes apresentei peças de teatro com a escola na Tenda da Flipinha. Em uma delas eu era uma boneca, na outra era “Iara”. Nas duas saí caracterizada pelas ruas do Centro Histórico.

Quando eu estava com onze anos, a escola em que estudava lançou uma disputa: o aluno que fizesse o melhor trabalho sobre bens imateriais da cidade seria o representante da escola na Flipinha. Com uma diferença de cinquenta votos para o segundo colocado, eu ganhei e fui à Flipinha com um documentário sobre lendas e mitos de Paraty. Naquele mesmo ano, entrei na Tenda dos Autores pela primeira vez.

Em 2009, economizei o ano todo e saí da Flip com seis livros – eu tinha 12 anos. Aquele foi também o ano em que nasceu a FlipZona. Participei da oficina de animação e foi paixão à primeira vista. E o ano não acabou por aí – as atividades da FlipZona voltaram a acontecer no Festival da Cachaça e nós, os alunos, cobrimos o evento. Depois dessa experiência, todo evento que acontecia na cidade, eu queria cobrir. Em alguns deles a equipe era resumida a quatro pessoas. Utilizávamos o meu notebook e minha câmera filmadora, além dos nossos celulares, e enviávamos os textos para a internet pelo computador da Gabriela Gibrail, na Casa Azul.

Gabi na gravação da vinheta da FlipZona 2011

Em 2010 aconteceu uma oficina de produção de material gráfico e de colagens, e um dos meus trabalhos foi escolhido como material gráfico oficial da FlipZona. Foi muito bom ver algo meu em cartazes e banners espalhados pela cidade! No mesmo ano, durante a Flip, houve uma pressão para eu terminar um documentário a tempo de ser exibido, pois era sobre uma moça que trabalhava na minha casa e minha mãe tinha prometido a ela que sairia em determinada data. Foi aí que tive minha primeira crise de gastrite nervosa. Pois é! Depois de quatro pacotes de antiácido o vídeo ficou pronto. No dia seguinte, quando rolou a exibição, ninguém da minha casa apareceu para ver. Acontece!

Os anos seguiram e continuei fazendo parte da FlipZona. Até hoje meu foco está nos vídeos, principalmente em produção de roteiros e direção. Sempre procuro escrever e pesquisar sobre a história de Paraty, seu patrimônio imaterial e material. Conciliar isso com histórias ficcionais e com o autor homenageado de cada ano também sempre foi uma preocupação.

Assim, defini meu objetivo profissional, de estudar Ciências Sociais para me tornar antropóloga e cineasta. Recebi por meio da FlipZona diversos convites de trabalho, que por causa da minha idade não pude aceitar. Hoje sou monitora da Central FlipZona e toda a minha trajetória nessa instituição foi fundamental para minha formação, além de ter me proporcionado participar de diversos projetos culturais. Se eu fosse falar aqui tudo de bom que a FlipZona me propiciou, faltaria espaço para escrever – e não estou exagerando! Sou e sempre serei grata a todos aqueles que contribuíram para isso, em especial ao coordenador da FlipZona, Daniel Ferenczi, à equipe da Casa Azul e aos meus colegas flipzoneiros.”

Texto: Gabriela Marsico, 17 anos
Revisão e edição: Ana Liz Justo

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3 respostas para Eu e a Flip, por Gabriela Marsico

  1. Biia Schmidt disse:

    Texto ótimo Gabi! muito bom ter a história de uma flipzoneira que tanto contribuiu para o nosso curso. Beijão minha ruiva*!

    • flipzona disse:

      Oi Bia! Obrigada pelo apoio e pelo elogio! Você também pode escrever um texto hein? Tem muita história pra contar! Escreve e manda pra gente! Muitos beijos, Gabi!

  2. Parabéns pelo trabalho e siga sempre assim!

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