‘Por que não a poesia?’

A Tenda dos Autores da Flip recebeu hoje as autoras Alice Sant’Anna, Ana Martins Marques e Bruna Beber para uma mesa sobre a ironia do amor em seus poemas. Depois de cada uma ler um trecho de seus livros, a mediadora começou comentando como elas têm uma espécie de maturidade precoce, tendo sempre uma “consequência tão aguda” mesmo sendo tão jovens. Ana, de uma maneira sutil, concorda: “Nos nossos poemas existe certa desconfiança do amor”.

Bruna diz que seus poemas começam um pouco nas trevas e depois vão clareando em decorrência do tempo. “Me envolto muito com as palavras” diz. Já Alice diz que as sombras entram nos seus poemas como “meio termo”. “Elas têm o dom de dar profundidade”, afirma.

Após a mediadora perguntar onde as autoras escolhem onde vão “cortar” as poesias, porque, segundo ela, as poesias parecem um bate-papo, Bruna afirmou que o ouvido é uma coisa importante pra ela em relação aos cortes. Ela diz que as rimas é que são difíceis, pois seu pensamento é “seco”. Afirmou também que gosta de ver um poema bonito na página. Alice diz que gosta que seus poemas tenham versos mais longos, o que dá tom de ambiguidade.

Depois disso, a mediadora afirma que a poesia das autoras não tem muito sentimento e pergunta se elas fazem um “ludismo sem amor”. Surpreendentemente, Bruna diz: “Até você me dizer isso eu achava que eu falava muito de amor”.

Afirma também que no seu livro “Rua da Padaria” tem “um pouco mais de sentimento”.
Alice e Ana contaram que é difícil escrever um poema de amor sem parecer clichê ou sem lidar com a tradição. Ana também afirma que o amor em seus poemas se mostra tímido.
Após essas perguntas, alguém da plateia manda uma para Alice: “Por que a poesia?” Parecendo confusa, ela responde “Por que não a poesia?” E em seu lugar, Ana responde que a poesia serve para não servir. “É uma espécie de clareira”.

Bruna diz metaforicamente que a poesia é um espaço comparado a uma varanda. “É para servir para não servir, é uma varanda, que se tem espaço aberto para fazer tudo”.
O erro e o “desengonço” foi o tema levantado na sequência. Ana disse que quem escreve sempre lida com o fracasso e tem sempre o lema de “fracassar melhor”. Afirmou também que isso entra no poema como o amor de pequenas coisas. “A tarefa da poesia é ampliar coisas que normalmente não prestamos atenção.”

Enquanto Bruna apenas responde “amplificar as miudezas”, Alice diz que a poesia não é capaz de reproduzir fielmente o tropeço. “Minha ideia de tropeço é uma pessoa fisicamente desengonçada e quando controlamos o tropeço – como na poesia – ele vira uma espécie de coreografia.”

E então vem uma pergunta do público: A poesia de vocês é fingimento ou baseada em fatos reais? “Não escrevo de mim porque acho que vocês não se interessariam”, Bruna brinca. Ana afirma que não é possível escrever de si mesmo, porque quando você está escrevendo, você fica fora de si.

Mas Alice diz que acha difícil não ser tão autobiográfica às vezes. “Você enxerga uma cadeira, por exemplo, de um jeito que só poderia ser você”. A mediadora insiste: “Quando vocês falam “eu” nos poemas, são vocês mesmo?” “Não (risos)”, Ana responde brincando, assim como Bruna, que diz: “Talvez, eu tento me esconder e acho que ninguém me encontra”.

Finalmente, cada autora lê mais um poema de seus livros e o bate-papo termina.

Texto: Clara Marques, de 14 anos

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