‘A cultura é a regra e a arte é a destruição’, diz Francisco Bosco

A segunda mesa da Tenda dos Autores desta sexta-feira contou com a presença de dois professores não atuantes na profissão: Francisco Bosco e Lila Azam Zanganeh.

Bosco é carioca. Poeta, letrista, filósofo e escritor, é filho do cantor e compositor João Bosco.
Lila Zanganeh nasceu em Paris e é filha de iranianos. Aos vinte e três anos se tornou professora da Harvard, universidade localizada em Cambridge, Massachusetts (EUA). Depois foi morar em Nova York e iniciou sua carreira como escritora.

Com a palavra inicial, Bosco falou sobre o livro “O prazer do texto”, do escritor francês Roland Barthes, que também é sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo. Na obra são abordados temas como linguagem política, que ele chamou de sólida e muito importante. “Atualmente, nos protestos que estão ocorrendo pelo país, essa linguagem está nos cartazes, que possuem palavras de ordem.”, esclareceu Bosco.

Ele falou também sobre as diferenças entre os textos de prazer e os de gozo. Explicou que na literatura prazerosa, a relação que existe na linguagem do texto é a cultura, que segundo o escritor é a prática dos hábitos que nos rodeiam. “A cultura é a regra e a arte é a destruição, por isso existe uma relação entre elas.”, ressaltou Bosco. Já a literatura de gozo são os textos que falam sobre a destruição da cultura, e por esse motivo produzem descontentamento. Esse tipo de literatura pertence ao campo que está além do prazer e as pessoas precisam passar pelas duas formas literárias, explicou ele.

Lila falou sobre o conceito da felicidade relacionada à escrita. Ela disse que, geralmente, os romances que fazem mais sucesso são os que falam sobre transgressões, mas não existe uma explicação para isso.

Foi abordado ainda que, nos romances atuais, o conceito de felicidade se perdeu, pois os mesmos falam, em sua maioria, da identidade do autor – mesmo que de forma indireta.

A conversa entre os convidados seguiu e foram apresentadas as perguntas da platéia. Perguntaram para os autores se é possível ter prazer escrevendo e ambos disseram que sim. Para Bosco, toda forma de literatura se dirige ao que o autor não é. Para Lila, escrever é ótimo, porque estimula a imaginação.

Para encerrar, questionaram aos autores o motivo de a literatura ser “a saúde do mundo”. Em resposta, Bosco disse que uma boa saúde é diferente de uma grande saúde. Os escritores e artistas em geral adoecem mais pelo fato de darem tudo de si em suas obras, para que os leitores conheçam o lado bom das coisas.
Já Lila, declarou que as palavras são o único meio de reencontrar as coisas que foram perdidas.

Vale ressaltar que a escritora francesa fala seis línguas, além da sua nativa. O português ela vem estudando há seis meses e já está falando super bem – tanto que a conversa de hoje foi toda em português. Lila declarou amar o Brasil, principalmente o Rio de Janeiro.

Texto: Marianne Aggio, 17 anos

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