Mesa com Nelson Pereira dos Santos e Miúcha deixa a desejar

A última mesa da sexta-feira, 5, reuniu dois artistas de peso: o cineasta Nelson Pereira dos Santos, grande precursor do cinema novo, e a intérprete e compositora Heloísa Maria Buarque de Hollanda, mais conhecida como Miúcha. A mediação foi de Claudiney Ferreira.

Claudiney mostrou-se carente de perguntas, explorando pouco seus convidados. Miúcha ficou restrita a pouquíssimas falas, uma no começo do debate, sobre como conheceu o cineasta. Outra no final, quando pôde falar sobre a elaboração do roteiro de “Transas de amor”, em conjunto com Nelson.

As perguntas mais interessantes foram feitas pela plateia. O interesse maior era sobre a relação de Nelson Pereira dos Santos com Paraty. Queriam saber sobre o filme “Como era gostoso o meu francês”, que teve um trecho exibido.

Diversas histórias engraçadas da produção dos longas foram contadas na mesa. Uma delas sobre a vez em que foram gravas “Vidas Secas” e, ao chegar no set de filmagem, chovia sem parar. Assim, foram obrigados a improvisar e acabaram gravando “Mandacaru Vermelho”, outro filme.

Outra foi sobre quando o filme Vidas Secas (1963) foi escolhido para representar o Brasil no Festival de Cannes. Na França, eles se depararam com acusações de maus tratos contra os animais, em função da encenação da morte da cachorra Baleia. “Uma condessa italiana ficou furiosa com o filme. Disse que só povo subdesenvolvido, para fazer o filme, mata um animal”, comentou. “Aí a Air France (companhia aérea) ofereceu uma passagem para a ‘Baleira’ ir a Cannes. Essa história estourou!”.

Senti falta de explorarem mais o lado político de Nelson, já que alguns de seus filmes utilizavam mensagens nas entrelinhas. Podiam ter focado em sua perseguição por parte dos delatores da ditadura e em sua estadia em Paraty, no início dos anos 70, até como forma de relacionar o cineasta com o autor homenageado, Graciliano Ramos – que foi preso político – e com o atual cenário brasileiro.

A mesa ficou superficial. Grande parte da platéia já sabia de tudo que foi dito. Uma pena dois grandes artistas não terem sido bem aproveitados.

Entretanto, aqui vai uma excelente notícia para os admiradores do cinema: Nelson Pereira dos Santos, no alto de seus 85 anos, pretende voltar a nos agraciar com seu talento em um novo filme.

Texto: Gabriela Marsico, 17 anos

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Esse post foi publicado em 2013. Bookmark o link permanente.

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