A Flip das sete mulheres

Entre os 44 convidados da Flip deste ano, apenas sete são mulheres. Esse número representa apenas 16% do total de escritores nas mesas da programação principal. Você acha pouco? Entre moradores de Paraty e turistas que estão na cidade, há quem reclame dessa realidade e também quem não veja problema.

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Priscilla Oliveira critica a falta da presença feminina nas mesas da Flip

Priscilla Oliveira, de 28 anos, artesã de Piauí, reclama da baixa participação das mulheres na programação. “ Outro dia li sobre o participação das mulheres na Flip e achei um absurdo tão poucas serem convidadas. A produção poderia usar como exemplo o Festival Latinidades em Brasília, onde só mulheres participam e convidar mais para mostrarem seu trabalho.”

Recepcionista de Paraty, Camila Prado, de 19 anos, diz que não há distinção no tipo de produção literária entre homens e mulheres, mas afirma que elas deveriam ter um devido merecimento na sociedade atual. Apesar de haver tantas escritoras com potencial, infelizmente não há oportunidade para elas em um evento importante, defende Camila. “Até pela sensibilidade e modo de visão diferente que possuem, elas mereciam mais espaço”.

Alguns entrevistados chegaram a comentar que as mulheres não têm capacidade para participar. Outros não deram muita importância ao assunto. Para João Pedro Lima, de 17 anos, que mora e estuda em Paraty, não faz diferença se são muitas ou poucas mulheres na literatura. “Nem gosto de ler”.

Rogério Snatus, 37 anos, formado em economia e poeta por prazer, também critica a falta de mulheres nas mesas de debate. Ele defendeu a ideia de “uma deusa, no centro do universo”, como a grande fonte da arte e inspiração. “Não é difícil ver o espaço da mulher sendo ocupado pelos homens, usando-as e tirando-as desse espaço, como na Flip. É falta de bom senso.”

O curador da Flip, Paulo Werneck,concorda que é necessário ter mais mulheres. “É lamentável essa marca pequena de mulheres e temos de aumentar. Não é uma coisa feita de propósito”, diz ele. “A gente deve melhorar e se preocupar. É uma vergonha mesmo para o Brasil”, diz. Além de citar que a ausência feminina é um sintoma em várias áreas culturais, Werneck também afirmou que houve um esforço para trazer mais mulheres. Mas acabou não dando certo. “Convidei dez mulheres que seriam um sonho de ter na Flip, mas infelizmente não aceitaram”, diz ele. “Mas não é a primeira vez que ouço não de mulheres, meu coração está acostumado”, brinca.

Das 12 edições da Flip, apenas uma escritora mulher foi homenageada: a Clarice Lispector no ano de 2005.

Arthur Verdelone 17 anos

Janine Faria, de 19 anos

Nyara da Silva, de 17 anos

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