‘A mensagem que Millôr deixa é de pegar e fazer’, diz Paulo Werneck, curador da Flip

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A Flip mudou a vida de Paulo Werneck, o curador da programação principal da Flip de 2014. Isso foi o que ele mesmo contou para a reportagem da Central FlipZona, em entrevista exclusiva feita na terça-feira, dia 29, em frente à Prefeitura de Paraty. “Eu acho que a gente passou a conviver com uma coisa nova, que é a Flip. Eu imagino pra quem está em Paraty com 16 ou 17 anos e ter a presença desses caras aqui. É uma coisa que deixa a marca, eu acredito que deixa”, disse ele, que ressalta a importância do evento para a cidade e para a cultura do País. “O que a gente estaria falando agora se não tivesse a Flip? De livro? Acho que não.”

Confira os principais trechos da entrevista:

Qual critério na escolha dos autores?

O maior critério é o acaso, no final das contas. Porque você vai montando a Flip dos seus sonhos e vai batendo cabeça contra a realidade. Porque os autores não podem, não querem, nem te respondem às vezes né… Então você vai criando planos ‘B’, planos ‘C’ e ai é muito interessante porque essa situação vai criando novas possibilidades também. Você vai descobrindo escritores. Uma coisa muito importante é você saber ouvir seus amigos, pedir dicas mesmo. E quando essas dicas começam a ressoar entre várias pessoas. E mais de duas ou três pessoas indicam o mesmo autor, ou então gostam da mesma ideia, significa que essa idéia está dando certo. É um critério que eu acho que não existe na verdade um critério exato, ele tem muito de acaso.

Por que ter Millôr Fernandes como homenageado?

Porque Millôr é um cara que eu lia desde pequeno na casa do meu pai.E eu sempre quis ser editor, escrever e fazer revistas de humor, fazer na escola quando era criança, quando adolescente e adulto. Sempre bolando projetos editorias que tinham muito do Millôr na questão do humor. Eu acho que ele traz pra gente essa sensação de que você pode pegar e fazer uma coisa genial junto com seus amigos. E isso é uma coisa que me agrada muito e foi importante pra mim. Eu fiz várias revistas com meus amigos, totalmente independentes e de certa maneira underground, mas que foram todas elas na raça. Como o Millôr fazia os seus projetos.

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E você acha que existe uma diferença dessa Flip para as outras anteriores?

Eu acho que a Flip é uma festa que tem um formato muito consolidado e eu não procurei ficar fazendo a minha marca pessoal. Também não queria deixar a minha marca digital na Flip. Então eu procurei os grandes momentos que eu já vi na Flip em quase todas as edições e tentar encontrar equivalentes para aqueles grande momentos. Pensei, ‘poxa vida, ciência é uma coisa que sempre puxa as pessoas’. Por exemplo, quando Nicolelis ou Dawkins vieram, foi um acontecimento. ‘Então o que a gente poderia ter de ciência este ano?’ E ai assim eu fui montando.

Qual a importância da Flip para os jovens hoje em dia ?

Olha, você está me chamando de jovem? Na verdade, eu não sei avaliar muito bem. Sei que, para mim, mudou a minha vida, quando eu tinha 21 anos e apareceu a Flip. O meu
amigo Chico Mattoso, que fazia comigo a revista Ácaro em são Paulo, foi um dos primeiros autores convidados para a primeira edição. Ele tinha 20 anos, nunca tinha publicado um livro. E isso mudou o destino da minha geração. Eu acho que a gente passou a conviver com uma coisa nova, que é a Flip. Eu imagino pra quem está em Paraty com 16 ou 17 anos e ter a presença desses caras aqui. É uma coisa que deixa a marca, eu acredito que deixa.

Qual a sua experiência em jornalismo?

É pouca na verdade. Eu sou filho de jornalista e eu trabalhei três anos no jornal Folha de S.Paulo. Eu fiz um caderno chamado ilustríssima, que é um caderno de cultura. Antes disso eu trabalhei onze anos em editoras. Então eu sou um jornalista acidental, o jornalismo que foi atrás de mim e não eu que fui atrás dele.

O que se ganha culturalmente do ponto de vista literário aqui na Flip?

Eu acho que Paraty é uma cidade como outras no Brasil. Ela é uma cidade muito especial e muito particular, mas é como as outras. As pessoas são muito parecidas com o resto do Brasil. E eu acho que, nesta semana, tudo pára para se falar de livro. O que a gente estaria falando agora se não tivesse a Flip? De livro? Acho que não. Então eu acho que a Flip traz essa pauta para o País mesmo, para as pequenas cidades. Eu acho que se torna um ambiente de discussão. Eu lembro quando Paul Auster veio e o pessoal pendurado ali na grade da tenda do telão vendo o Paul Auster falar sobre nota de rodapé. O que é isso? Em que cidade brasileira acontece esse momento? Eu não costumo ver isso não…

O que você acha da Flipzona e dos eventos paralelos que ocorrem na Flip? E qual a mensagem que você deixa para os jovens paratienses?

Olha, eu acho que toda essa programação e essas atividades paralelas da Flip importantíssimas. Pra mim elas são centrais, não são paralelas. A Flipzona por exemplo mostra que a Flip não é uma coisa que dura só cinco dias. É um trabalho que tem uma permanência, que forma pessoas, que os torna profissionais . Tenho certeza que daqui sairão jornalistas, escritores. E a Flip é para todo mundo, né, não é só para quem está dentro daquela tenda. Eu acho que a Flipinha a FlipZona, e tudo que está em torno, ajuda a levar a Flip para mais gente. Inclusive, a mensagem que Millôr deixa é de pegar e fazer, entendeu? Fazer o seu projeto, não esperar das grandes corporações que elas realizem os seus sonhos. Quem vai realizar é você mesmo, e você tem os meio para fazer. Pode ser uma câmera, um computador, você pode fazer um blog ou um jornal, como Millôr fez com os amigos dele. Então ele foi um cara independente e por isso a gente está homenageando ele agora.

Em relação à tenda, você acha que combinou com o Millôr, com os estilos das letras? Isso foi valorizado?

Eu acho que está legal, porque a gente está homenageando um cartunista. Grandes cartunistas e quadrinistas já vieram para a Flip, como Angeli e Laerte. Mas se a gente não tem preconceito com os quadrinhos, por que não homenagear um autor de quadrinhos que é o Millôr? E eu acho que a arquitetura da Flip soube traduzir isso com muita beleza, as cores que Millôr trabalhava, as cores berrantes, bem vermelhão, aquelas letras totalmente distorcidas. Paraty está pipocando desses elementos do Millôr.

Arthur Verdelone, 17 anos

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