Ferréz critica UPP e pede minuto de silêncio por mortos no Oriente Médio

Ferréz não é dos escritores mais conhecidos, pelo menos aqui em Paraty, mas provou ser um grande artista e uma ótima pessoa. Logo no início, já demonstrou um pouco de sua solidariedade e foi cumprimentar as pessoas que não conseguiram assistir ao encontro na parte interna da Casa da Cultura – pois estava lotado. Em seguida, pediu um minuto de silêncio em homenagem aos palestinos e israelenses mortos no conflito no Oriente Médio.

Batizado como Reginaldo Ferreira, Ferréz já escreveu roteiros, cantou em bandas e até fundou uma ONG. Decidiu o seu nome artístico em homenagem a Lampião e a Zumbi dos Palmares. Passou sua infância no Capão Redondo, bairro da zona sul de São Paulo, onde mora até hoje e cria sua filha. De família pobre, seu único brinquedo foi um volante de Fusca que ele amarrou em um cabo de vassoura e brincou por duas horas. Até o brinquedo ser roubado…

Defensor da divulgação de informação para todos, Ferréz faz palestras em escolas e tem trabalhos em presídios. “Informação salva vidas”, disse. ”A informação é uma grande arma que alguns negam”, completou. A mensagem de Ferréz é certeira. “Ajude o próximo, pois no caixão não tem gavetas para levar suas posses ou seu dinheiro”.

Ele também possui uma empresa de roupas, a “Onda sul”, onde ele contrata pessoas da própria comunidade para trabalhar, pagando salários mais justos. Ferréz escreveu grandes livros como “Fortaleza da Desilusão, em 1997, Capão Pecado, de 1999”, “Manual prático do ódio, 2003, Amanhecer Esmeralda, 2005”,”Ninguém é inocente em São Paulo, 2006”, “Deus foi almoçar, 2011” e “O pote mágico, de 2012”.

UPP’s no Rio e manifestações

De acordo com Ferréz, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) são uma mentira baseada no filme “Tropa de Elite” e não são a solução. Deveria haver um trabalho sociológico nas comunidades e não simplesmente jogar toda a responsabilidade em policiais, alguns jovens demais, armados e sem preparo. “Policiais que em momentos de atrito vão atirar e matar cidadãos, às vezes inocentes e sem qualquer relação com o problema.”

Ele diz apoiar as manifestações que ocorreram no País. “Temos que nos ativar politicamente. Nós somos marionetes do governo, porém alguns conseguem enxergar as cordas e isso faz a diferença. As pessoas das periferias ainda não aderiram totalmente a essas manifestações, por enquanto estão tolerando, mas quando eles se revoltarem nada vai segurá-los.” Ele diz entender o vandalismo. “Temos que quebrar tudo mesmo, invadir lojas nas zonas ricas e deixar nossa marca.” Não se conforma de pessoas comprarem tênis de R$ 500, serem assaltadas e morrerem por causa de uma empresa.

Educação

O escritor disse que repetiu a 3ª e 5ª séries por causa da literatura. Sempre teve dificuldade e apoia que as escolas indiquem a leitura de livros que possam ser entendidos – e não simplesmente serem lidos pela reputação de seu autor, como ocorre. “A educação é muito desvalorizada pelo governo e os professores deveriam buscar mais, ler, ver filmes para poder ensinar o que realmente vale a pena.”

Apesar de não gostar, seu pai o matriculou na faculdade de datilografia. Após três anos, recebeu seu primeiro e único diploma. O que não lhe impediu de ser o grande escritor que é hoje.

Gabriel Gomes, de 16 anos
Rodrigo Cortines, de 14 anos

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