O ESTADO É LAICO, MAS PARATY É LEIGA

Samara Donário

Charge de Samara Donário

Paraty é uma cidade conhecida por sua grande diversidade étnica e cultural. A interação entre quilombolas, índios e caiçaras é justamente um de seus maiores charmes.

A maçonaria é mais um elemento de toda essa diversidade. Com forte influência no município, essa sociedade está presente em todos os cantos, seja no grande emblema colocado no Trevo, ou nos diversos símbolos espalhados pelas esquinas do Centro Histórico. Mas afinal, o que é maçonaria?

Fraternidade extremamente discreta fundada na Inglaterra da Idade Média por trabalhadores, a maçonaria tem como objetivo principal tornar os cidadãos pessoas melhores, através do respeito, da fidelidade e da fraternidade. Ao contrário do que muitos pensam, a maçonaria não é restrita ao catolicismo ou ao cristianismo: seus membros podem seguir a religião que quiserem, o importante é crer em um Deus. É uma sociedade tão poderosa que, segundo o psicólogo e estudioso paratiense José Carlos Lambert, todos os fatos importantes da história brasileira têm relação com a maçonaria. Para amenizar as polêmicas que cercam essa fraternidade, seus membros criaram um lema que diz que “o único segredo da maçonaria é que não há um segredo”.

Outra grande corrente cultural, e principalmente religiosa, presente na cidade é o catolicismo. Essa religião é muito importante no contexto histórico da cidade, pois sua fundação teve participação da Igreja Católica. Porém, os jesuítas não vieram para cá apenas para catequizar os residentes locais, também estavam interessados nos benefícios econômicos que ocorriam durante o Ciclo do Ouro. Atualmente, Paraty tem uma vertente católica um pouco enfraquecida, pois existem desavenças entre seus membros.

Com menor participação na população, existem várias outras doutrinas, como, por exemplo, o movimento Hare Krishna. Kadamba, membro desse movimento, explica que o Hare Krishna é uma sociedade baseada na literatura védica milenar de conhecimento transcendental, cuja principal obra de estudo é o “Bhagavad-Gita”.

Relatos como este pode nos levar a crer que a relação entre as religiões na cidade é pacífica. No entanto, no último dia 26 de julho, ocorreu um pequeno conflito religioso envolvendo uma polêmica placa com os dizeres “Jesus Cristo é o Senhor de Paraty”, colocada na entrada da cidade.

A placa acabou sendo depredada um ou dois dias depois, e deu muito que falar. Na opinião de vários moradores, a iniciativa figurou como um desrespeito a outras religiões que não pregam o cristianismo.

No entanto, quem defende a colocação da placa entende que ninguém teria o direito de vandalizá-la. Carolina Reis, 16, membro da Igreja Assembléia de Deus, não vê problema na placa. “As doutrinas cristãs são maioria em Paraty”, disse ela. Segundo Carolina, a Assembléia de Deus não teve participação na colocação.

Segundo Thalita Aguiar, filósofa carioca residente em Paraty, “essa placa não representa a multiplicidade religiosa que existe na cidade e desrespeita o caráter laico do estado.”

Aghata Saez,15

Luy Firmino ,16

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