Dossiê da liberdade

A mesa ocorrida na manhã de ontem intitulada “Liberdade, liberdade” trouxe para debate questões de segurança pública, a questão midiática no mundo atual e as crises econômicas.

Mediada inesperadamente por Paulo Werneck (curador da FLIP), a mesa teve a presença de Charles Ferguson e Glenn Greewnwald. Charles tornou-se conhecido após ganhar o Oscar de melhor documentário com “Trabalho Interno”, onde mostrou detalhes da crise que atingiu inicialmente o setor imobiliário dos Estados Unidos.

Já Greenwald tornou-se uma personalidade importante quando ajudou a divulgar documentos obtidos por Edward Snowden, denunciando a espionagem americana à cidadãos, empresas e governos de todo o mundo.

Tanto em sua coletiva de imprensa, como na mesa que esteve presente, Glenn colocou em discussão a postura do jornalismo mundial na atualidade.

Glenn

“O jornalismo de verdade acontece quando não se tem medo de escrever algo contra um governo por medo, mas tem de ser um ato de rebeldia. Simplesmente contar fatos e não expor opinião é omissão, e tem por consequência nesse caso, acabar defendendo o governo estado unidense. Precisa-se ter ética e exercê-la”. 

 Comentou o motivo pelo qual ele e Snowden descartaram divulgar os documentos que denunciavam o monitoramento feito pela NSA em grandes veículos, como The New York Times e Washington Post, por essas grandes mídias terem ligação com o governo.

“Quando pessoas usam outros meios para denunciar inúmeros abusos, demonstra que as mídias estão corruptas e controladas”, constatou.

Sobre a vida de Snowden na Rússia, contou que esteve lá há seis semanas e que o ex analista de sistemas da NSA está livre. No país ele pode sair nas ruas, trabalhar (até criticando o próprio governo russo) e principalmente participar da discussão que ele mesmo promoveu sobre segurança pública.

Em um momento de descontração na mesa, Glenn mencionou sua recente participação em um debate com o ex-presidente da NSA no Canadá, durante o qual, foi transmitido um vídeo de Snowden onde o próprio questionava o ex-funcionário da agencia de monitoramento americana.

“Esse foi um dos momentos mais inusitados e realmente engraçados, porque o ex-presidente tinha que responder, e ele odiava Snowden’’”.

Sobre o esgotamento do tempo de asilo político que Edward possui, declarou que não vê possibilidade do governo Russo revogar o direito do colega permanecer no país. Criticou todos os países para os quais Snowden mandou pedido de asilo e se mantiveram relapsos, alegando que todos foram beneficiados com as informações divulgadas e o mínimo que os governos poderiam fazer, seria retribuir o pedido.

“Os governos que se mantiveram omissos simpatizaram com os Estados Unidos ou tinham medo de retaliações”.

Citou inclusive o exemplo do Brasil, que se pronunciou dizendo que não havia recebido pedido de asilo e depois se contradisse informando que não concederia qualquer proteção.

Quando indagado sobre sua posição diante do ato de Snowden, prontamente respondeu que foi um grande ato de bravura e que o analista fez tudo bem planejado e ciente das consequências que enfrentaria. Ele ainda optou por não divulgar tudo o que descobriu, mas sim o que era necessário para a sociedade entender de que estava sendo vítima.

“O governo americano tem medo de novos “Snowdens”, então o único jeito para tentarem controlar as pessoas é com intimidações e ameaças a vida delas”.

Charles, simpático e sorridente resumiu no início da mesa o que gostaria de expor para reflexão e admitiu amar desencavar fatos que não eram pra ser descobertos. Começou contando que em 2007 foi alertado por amigos ligados à economia que algo estava errado e que poderiam vir consequências muito ruins. Ele obviamente duvidou.

Charles

“Para mim estava tudo normal, a vida continuava a mesma, mas então 2008 chegou e vimos milhões de pessoas perdendo suas casas, bancos fechando e eu não entendia o porquê isso estava acontecendo”.

Isso o motivou a fazer um filme falando sobre detalhes que envolveram a crise, mas que nunca foram debatidos, como os motivos reais do colapso e quem seriam os responsáveis.Fez um paralelo entre a crise leve que ocorreu no país nos anos 80, na qual todos os responsáveis foram duramente punidos e a mais recente, na qual nenhuma prisão ou processo foi aberto contra os autores, os donos dos grandes bancos, da quebra do país. Mas por que ninguém foi punido?

O documentarista disse haver dois possíveis motivos. O primeiro seria que a população americana se tornou cética por não acreditar que tem força para mudar ou cobrar qualquer providencia do governo. Já o segundo, de caráter mais concreto é sobre a ineficiência do sistema judiciário e prisional do país que detém 25% da população carcerária mundial.

“O País que mais pune, prende pessoas por coisas até triviais, por que então não prenderam as pessoas responsáveis pelo desastre econômico que o atingiu?”

Sem tempo para se estender e com a mediação que deixou a desejar, a mesa se encerrou com aplausos entusiasmados da plateia e um grande pedido de Charles, que agora trabalha em um novo documentário: não deixem que outras nações usufruam e estraguem seu maravilhoso país.

Marina Luiza De Valécio, 18

Fotos de Matheus Costta, 18

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s