Eu brasileiro, eu paratiense

O homenageado da Flip 2015, Mário de Andrade, tem sua expressão cultural retratada por meio de seus livros, como Macunaíma, que mostra a diversidade cultural envolvendo a religiosidade indígena com lendas e folclore.

Pode-se dizer que Macunaíma é uma tentativa de construção do retrato do povo brasileiro. Retrato este, que vemos na cultura paratiense, que tem grande herança indígena, caiçara, religiosa e quilombola. Em torno da cidade de Paraty, vemos a concentração de tribos como os Tupiniquins, que vivem em sua grande maioria na comunidade de Paraty Mirim, local conhecido também por causa dos índios que vivem ali. A influência indígena na cultura paratiense pode ser vista na comida e nas lendas da cidade.

Já a cultura caiçara vem da miscigenação de portugueses e índios, estes que desde sua origem optaram por viver fora dos centros urbanos, perto do mar e da terra, tirando deles os recursos necessários para sua sobrevivência. Cantigas e danças de roda, como a ciranda, refletem os traços caiçaras locais.

As expressões religiosas tradicionais e ancestrais podem ser vistas, por exemplo, nos eventos religiosos da cidade, como a Festa do Divino, que agora é patrimônio imaterial. Essa herança se deve à influência da igreja católica na cidade. Porém, Paraty é multicultural, abrigando diversos segmentos religiosos de matriz africana, como os Quilombolas e as Casas de Santo. Há ainda a influência hindu, que pode ser vista na comunidade Hare Krishna.

Toda essa mistura compõe a identidade paratiense, e sua cultura, que engloba culinária, música, brincadeiras, lendas e outros.

Julia Vilma Caetano , 23 anos, paratiense  e católica:
“De modo geral é muito importante para nós, os católicos, sermos considerados como ‘ponto turístico’. A igreja vem trazendo cultura religiosa para cidade em forma de festas e missas.”

Pakari , 32 anos, indígena tupi:
“Nossa cultura é importante para Paraty e pro Brasil. Temos o artesanato e a culinária, somos  de Paraty Mirim e estamos aqui para mostrar nossos talentos e cultura.”.

Nicole Jannotti , 15 anos, caiçara:
“Ser caiçara é saber mais e ter mais cultura. Se eu nascesse na cidade eu não iria saber pescar, construir canoas e fazer farinha. Nasci no Pouso da Cajaíba e não esqueci das minhas origens, sou caiçara até a minha morte.”.

Laís Barros, 18 anos, baiana:
Sou da Bahia, vim pequena para Paraty. Minha família é bem tradicional. Somos descendentes de africanos. Quando eu fiz 14 anos estive no Quilombo de Paraty. Gostei muito e continuei lá. Nós, os quilombolas, regatamos nossas raízes africanas pela dança, comida, cantigas e nosso modo de viver.”.

Trecho da Música “Eu Brasileiro”, de Luiz Perequê:

De brancos ponteios de viola,
De negros tambores de Angola,
Pele morena, cocar de pena,
Pena de arara, cara de índio,
Minha cara!
Cara de nego maluco
Mucungo é suco de cana,
Mucama é dama africana
Cachaça, cana caiu!

Por André Pádua, 18 anos.

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