Sobre o show de Luís Perequê

Este ano o show de abertura da Flip foi realizado pela “prata da casa”, como falou o curador da Flip, Paulo Werneck, na abertura do evento. Foi feito para e por pessoas que vivem em Paraty. Dani Lasalvia e o grupo Os Caiçaras também participaram da festa.

O show aconteceu na tenda da Flipinha, na quadra em frente à Praça da Matriz. Começou com o coral de crianças, que cantou com Perequê, e foi seguido da linda apresentação de Dani. Luís Perequê voltou ao palco para cantar com Os Caiçaras – ponto alto da noite, quando todos aplaudiram muito.

Para fechar a noite com o clima de valorização à cultura paratiense, o artista recitou seu poema “Aves e Ervas”:

Aves e Ervas
(Luis Perequê)

Madrugada se levanta, canta galo, tudo canta…
Beira de mar, Mata Atlântica!
Suave canção de aves, cheiro de erva pisada,
Trilha, trabalho, renda de orvalho,
Tramam tratores, novas estradas.
É a mentira do progresso mudando o rumo dos versos
Casa de aves e ervas, virando areia e deserto
Matas mortas, morros calvos e os corvos cuidam do resto
O povo vence o grileiro, mas não vence os projetos
Da mentira dos políticos mascarados, desonestos.
No canto bravo do Sono, vou deixando um manifesto
Adeus, adeus curupira, caipora e insetos
Os guardiões naturais não têm armas pro concreto
Mata Atlântica te levanta, deixo meu peito aberto
Pra te guardar na lembrança, pra te contar pros meus netos
No registrar dos meus olhos vou te cantar nos meus versos
Se pudesse eu te dava as asas do pensamento
Quem sabe te guardaria do jeito que eu te penso
Criando os teus nativos, crescendo no teu silêncio
Bem longe desses projetos de pseudo crescimento
Que prometem melhoria e trazem arrependimento
Porque vem os condomínios com o fascínio do dinheiro
E o pescador troca a rede pela colher de pedreiro
Depois só volta na praia, de gari ou faxineiro
A estrada do político não foi feita pro roceiro
Só serve pra o levar no dia de ir limpar o lixo dos forasteiros
E a cultura é esmagada, como se deu tantas vezes
Trocamos trovas da roça por batuques e farofas
Ou silêncio pros burgueses
E assim começa outra história porque é o fim da estrada
Não tem matas, não tem aves, não tem ervas, não tem nada
Tem uma cerca, um portão, um caiçara de farda
E uma placa, atenção: É PROIBIDO A ENTRADA.

Por Hudson Torquato.
foto: luispereque.blogspot.com.br

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