A SP de Mário de Andrade (e as fofocas do modernismo)

Intitulada São Paulo: comoção de minha vida!, a sétima mesa da Flip 2015 relembrou a São Paulo dos anos 20, quando ainda era terra da garoa, dos chapéus, dos casamentos elitistas e das reuniões boêmias dos intelectuais. A cidade que Mário de Andrade, autor homenageado, viveu.

Conduzida por Carlos Augusto Calil, cineasta e secretário estadual de Cultura de São Paulo, e Roberto Pompeu de Toledo, jornalista e escritor de obras sobre a capital paulista, a mesa, na tarde de sexta, 3, transcorreu como uma aula de história e literatura. Tendo como protagonistas São Paulo e Mário de Andrade, contaram histórias que compuseram um dos movimentos culturais mais marcantes do Brasil: era 1922 e o Modernismo explodia pelas ruas da incipiente capital econômica do país.

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Toledo (no centro) e Calil (à esq.) participam de mesa na Tenda dos Autores

Sem recursos e apoio, artistas e intelectuais não tinham como bancar um evento para divulgar o novo estilo que havia se instaurado. Eis que surge Paulo Prado, integrante de uma das famílias tradicionais paulistanas e amantes das artes. Foi ele quem bancou a Semana de Arte moderna.

Após esse acontecimento, forma-se na terra dos bondes uma comunidade artística intensa. Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Manuel Bandeira, Villa Lobos faziam reuniões, muitas vezes na casa do próprio Paulo Prado para discutir, festejar e beber a vida. O próprio Mário às vezes não comparecia, pois tinha que dar aulas para ganhar a vida, já que os demais artistas também faziam parte da elite e já tinham a vida ganha.

Isso tudo durou até 1929, um período extenso e cheio de episódios interessantes. Nesse intervalo, Mário de Andrade torna-se o primeiro secretário de Cultura do estado e inicia um projeto de inclusão social por meio do incentivo à cultura. Já a elite, que considerava o Brasil um País atrasado intelectualmente, começa a investir em produções artísticas e até idealiza, dentro da redação do jornal O Estado de S. Paulo, o projeto para a Universidade de São Paulo (USP), que depois é apresentado para o governo do Estado.

Indispensável também deixar de mencionar a rixa entre Mario e Oswald, que viviam trocando ofensas por cartas e pessoalmente, disputando interminavelmente atenção. Até, que por fim, Mario escreveu Macunaíma, obra literária mais importante do Modernismo e cortou totalmente relações com Oswald – que inúmeras vezes tentou reconciliação mas acabou por criticar publicamente Mario, chegando a chamá-lo de “Miss Macunaíma”.

A mesa foi finalizada com a passagem em que Oswald, entediado em uma das reuniões boêmias na casa de algum abastado da época, resolve dizer que Mário de Andrade andava falando mal de Villa Lobos, como lembra Calil. “Passado um tempo, Mário acaba sabendo da calúnia e resolve questionar Oswald do porquê ele havia feito aquilo. Oswald responde simplesmente: ‘eu menti'”, contou Calil, arrancando risos da plateia.

Marina Luiza De Valécio, de 19 anos

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