‘Livro nunca vem só’, diz angolano Ondjaki

Na última quinta-feira, 2, a Casa da Cultura recebeu o escritor angolano Ondjaki e a brasileira Rita Carelli, com mediação de Cristiano Recksziegel, do canal Futura. O encontro fez parte da programação da FlipZona.

Ondjaki é escritor de poemas e contos, colecionando vários prêmios pela qualidade de suas obras. Carelli viveu parte da infância entre índios e acaba de iniciar sua carreira com a publicação de uma coleção de livros em edições bilíngues.

Durante a mesa, o mediador Recksziegel perguntou aos escritores como tiveram o primeiro contato com a literatura. “Sou de uma família de leitores e quando era pequena me marcou muito uma coleção da Ciça Fittipaldi, sobre indígenas”, lembra Rita. Todo mês, conta ela, quando a mãe recebia o salário, a família ia no domingo seguinte a uma livraria e escolhia um livro, como um ritual familiar.

“As historias não são fronteiras, são o que vêm do coração” – Ondjaki

Já com o Ondjaki, o primeiro contato foi mais tarde.“Uma vez eu disse a uma jornalista que tinha começado a ler muito tarde, aos doze ou treze anos e ela escreveu um título: ‘Escritor angolano  analfabeto até os treze anos’”, conta ele. “Mas não quis dizer isso, me referia ao fato de ter começado a ler tarde com consciência de leitura. Tanto que eu me lembro como foi quando meu pai trouxe meu primeiro livro, que se chamava ‘Por que corre, Sammy?’. Para mim, os livros são sempre pontes, como um escritor angolano diz  ‘livro nunca vem só, por que remete para outras coisas que já estão dentro de ti’. Isso que é entender o livro”.

“A escrita interior vai se fazendo com a vida. Então as fronteiras não são tão importantes.” – Rita Carelli

Quando perguntado sobre a situação de Angola, Ondjaki diz que, mesmo sendo um local com muitas riquezas, diversas pessoas não conseguem acesso nem mesmo aos direitos básicos.“Um país rico não é um país que tem ricos, mas é um pais que tem menos pobres. Um país rico é um país com mais possibilidades e menos desigualdades. Logo, a Angola não é um país de muitas riquezas”, lamenta.

DSC_0021

Nossa equipe teve a oportunidade de conversar com a Rita Carelli, sobre suas experiências na tribo indígena na qual viveu ora como menino, ora como menina durante a infância. “Foi ótimo para mim, pude desfrutar do melhor dos dois mundos, já que nunca fui boa em tarefas femininas, sempre fui melhor em tarefas masculinas. Como arco e flecha, manejar uma canoa, nadar. Mas com fui uma branca no meio dos índios, isso não tinha muita importância.”

Também conversamos com Ondjaki e perguntamos se ele tem um filósofo preferido. “Meu filosofo preferido é uma árvore qualquer, é uma árvore quando se abana, uma árvore qualquer”, diz ela.

Textos: Braz Mendes, Beatriz Oliveira, de 15 anos, e Jadson Nilton, de 14

Fotos: Pedro Alegria, de 17

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s