‘Tentamos incorporar a narrativa para trazer um olhar diferente’, diz repórter da Globo News

No dia 2 de julho, quinta feira, aconteceu na Central FlipZona um workshop com a equipe do  núcleo de reportagens especiais da Globo News. Convidamos uma das jornalistas, Antônia Martinho, para um bate-papo sobre prática do jornalismo em TV. Um dos pontos ressaltados por ela durante a conversa foi a importância de o jornalista conhecer realidades diferentes e, com isso, mudar sua perspectiva de vida e pensamento. Leia abaixo como foi a entrevista:

Há algum embate entre o modo convencional e o modo informal de fazer jornalismo?

As coisas se entremeiam. Não há um modo mais certo de fazer jornalismo. A maneira tradicional já é vencedora e dá certo. O que nós tentamos fazer é incorporar a narrativa para trazer um olhar diferente da notícia e estamos num lugar que nos propicia isto.

Qual a sua perspectiva para o telejornalismo? Você acredita que esta tendência de informalidade tende a dominar? 

Claro. Isso está acontecendo no mundo todo. Nós estamos aqui fazendo esta entrevista pelo gravador de um celular! Isso mostra que, cada vez mais, as pessoas que não são jornalistas vão contribuir para o jornalismo. Hoje, se uma pessoa flagra uma cena, ela também pode ajudar. O que importa é passar a informação. Esta democratização dos meios aproxima as notícias do público.

Ao editarem uma matéria, vocês utilizam algum critério de censura?

Não há critério de censura. Nós tentamos passar a informação que temos. Se ela for verdadeira, nós iremos passá-la.

Como fazer render uma pauta desinteressante?

Às vezes a pauta é sem graça e, por sabermos que ela não vai dar em nada, nós a descartamos. Pautas caem nos jornais porque não rendem, seja por uma apuração ruim ou por um roteiro mal produzido.

Qual foi a matéria mais surpreendente que você já fez?

Uma matéria que me tocou muito foi a que eu fiz para o “Globo News Especial”, cuja pauta era sobre a situação dos presídios no Brasil, em especial os do Sudeste. Foi muito triste e chocante perceber a maneira como a sociedade encara este problema. As pessoas estão presas em situações inconstitucionais e de abandono. A lei não é vingança!
Uma conseqüência desta nossa matéria foi o afastamento de dois carcereiros que torturavam os detentos. Em contrapartida, visitamos um presídio em Minas Gerais onde os próprios presos cuidam das chaves da cadeia e, surpreendentemente, constatamos que lá o índice de fugas é o inverso do habitual, pois os presidiários são tratados com humanidade. Isso me marcou muito. As pessoas deveriam tratar deste tema com mais atenção.

Roberta Oliveira, de 17 anos, Marina Valécio, 19 anos

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