Espetáculo Felinda, da Carroça de Mamulengos

O grupo A Carroça de Mamulengos – do Instituto Gandarela e patrocínio da Petrobrás, apresentou o espetáculo “Felinda”, neste sábado, 4, na Tenda da Flipinha.

Composto por uma família de Brasília que hoje vive em Minas Gerais, o grupo atua desde 1977, levando seus espetáculos e oficinas para todo o Brasil.

Em Felinda, eles mostram a história de uma moça que decide fugir com o circo que se apresenta em sua cidade, mas que, quando termina de fazer suas malas, descobre que o circo já havia partido. A moça então se viu sozinha, sem saber seu próprio nome ou de onde vinha – mas o circo continuou em sua memória.

No desenrolar da história, alguns personagens do folclore brasileiro aparecem, como a Mula sem Cabeça.

“Essa montagem é um reflexo lúdico da nossa trajetória que, em 2015, completa 39 anos. Em cena estamos todos juntos, três gerações da nossa família, que se esforça em colorir corações não somente nos teatros, mas nas ruas e praças de diversas cidades do Brasil.”, disse Maria Gomide, uma das filhas do senhor Gomide e representante da Companhia Carroça de Mamulengos.

André Pádua, 18 anos. 

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Marque na agenda: Cinezona é domingo, às 18h!

O CineZona é o momento de a equipe da Central FlipZona apresentar a produção audiovisual preparada durante e a Flip e também durante o ano todo!

Não perca!

É amanhã, dia 5, às 18 horas, na Casa da Cultura. Entrada gratuita.

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Assista: diversidade sexual

Os jovens repórteres da Central FlipZona, Carlos Eduardo Oliveira e Julia Magalhães Ratzke, ambos de 14 anos, escreveram nesta semana uma matéria sobre diversidade sexual. O texto pode ser lido aqui.

Assista abaixo o vídeo da reportagem:

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A diversidade de estilos de Paraty

Paraty é um lugar onde muitos turistas, de todos os lugares do mundo, buscam a calmaria as suas belezas. Nossa equipe encontrou uma forma de transmitir para vocês toda essa diversidade: com os looks das mulheres e dos homens que estão passeando por aqui durante a Flip.

Encontramos pessoas de vários lugares do Brasil e do exterior, mas optamos por focar na beleza brasileira. Ouvimos cada um deles falar sobre o seu próprio estilo. O resultado surpreendeu até a eles mesmos!

Já parou para pensar o motivo do seu estilo? Como você o construiu? O que ele transmite para as pessoas ao seu redor? Se está na “moda” ou não?

Assista:

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Vida de cirandeiro

Vicente Lusia da Silva tem 70 anos e é cirandeiro há 60. Ciranda é uma música típica de Paraty.

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Ele mora na Ilha das Cobras há 45 anos e faz parte de um grupo chamado Os Caiçaras. Experiente, ele toca violão desde os 10 anos e aprendeu sozinho. “Toco melhor agora do que antes”, disse Vicente.

O primeiro grupo do qual ele participou se chamava Mázaro. Ainda hoje, a música mais tocada nos shows é Caranguejo (“Pé, pé, pé, outra vez a mão a mão/ Roda, roda minha gente, caranguejo no salão”). Infelizmente, o músico diz que a Ciranda está morrendo por falta de apoio.

Leandro Henrique Silva Gonçalves, de 13 anos (O cirandeiro Vicente é meu avô)

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Grevistas da UFF fazem manifestação na Flip

Um grupo de manifestantes aproveitou a movimentação da Flip para realizar um protesto e chamar atenção para suas reivindicações.

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Alunos e professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) estão em greve por causa do corte de verba de 9,4 bilhões na Educação. Trazendo faixas e panfletos elucidativos, realizaram uma passeata em defesa da educação pública e gratuita. Encontramos o grupo na rua do comércio, no Centro Histórico de Paraty.

Falamos com Licio Monteiro, de 31 anos, professor de geografia da Universidade. Ele comentou que, com o corte, não foi possível a ampliação dos cursos.

Raquel de Souza Miranda, estudante, lamenta: “A sociedade está sendo prejudicada, o estudo deveria ser mais valorizado”.

Beatriz Oliveira, Braz Mendes, ambos de 15 anos, Jadson Nilton, de 14

Foto: Braz Mendes

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Estamos de olho!

Flagra clicado por Pedro Alegria, perto do cais de Paraty

Flagra clicado por Pedro Alegria, perto do cais de Paraty

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Paraty tem trilha sonora

Qual é a trilha sonora de Paraty? De ouvidos atentos, fomos tentar entender o que significam as músicas de Paraty para os cantores de rua, que tocam pelo prazer ou pelo trocado! Alguns deles acham que certas músicas não deveriam entrar no repertório da cidade. Mas o que se ouve é uma mistura de sons.

André Gonçalves, de 41 anos, que mora em Paraty e já se apresenta há alguns anos, diz que cantar e tocar nas ruas é um exercício de amor – profissionalmente, ele é professor de percussão. “Tocar na rua é muito bom, muito saboroso, porque você toca na frente das pessoas, vê a reação imediata delas e não está cobrando nada. Nem elas são obrigadas a dar nada”, diz ele. “Tem gente que gosta, aprecia, dança. Mas também tem gente que fica incomodada. Todo tipo de música pode ser tocada e cantada desde que seja com respeito.”. Ele vende seus CDs e deixou seu contato de trabalho: (21) 3317-7012.

Já Marcio do Sax, de 46 anos, do Rio, acha que o ritmo mais popular tocado em Paraty é o clássico: “Para mim, a boa literatura se baseia com os clássicos de uma boa música, que são os temas instrumentais, são os temas poéticos de Chico Buarque de Holanda, são as músicas do pessoal que fala da alma da coisas.”, diz ele. O músico diz que, em Paraty, não deveriam tocar funk.  “Não é criticando o funk, mas acho que não cairia bem aqui.”.

Não só brasileiros fazem a trilha de Paraty. O Facuno, de 29 anos, é argentino e veio apresentar sua arte na cidade. “Achei tudo muito lindo em Paraty, tocamos em espanhol, músicas argentinas, tangos. Não gosto muito da música brasileira, mas tocamos em algumas ocasiões, quando nos pedem”, diz ele. O grupo é formado por ele e mais dois colegas, que dividem guitarras e violão.

Segundo Carlos Machado, de Porto Alegre, a música brasileira é a mais tocada, mas também temos um pouco de música latino-americana. “Tem espaço pra todo mundo tocar, não precisa de discussão.”.

Melissa dos Santos, de 13 anos

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Fundação faz exposição com 12 mil itens

Neste ano, a Fundação Itaú utilizou seu espaço durante a Flip para focar na arte brasileira. Trazidas de São Paulo, as obras expostas são chamadas Brasilianas e têm como objetivo contar a história brasileira através de pinturas e gravuras.

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São exibidos cerca de 12 mil itens, entre manuscritos, materiais coletados por naturalistas e viajantes, registros históricos, culturais e científicos. Além do catálogo online, com artes visuais, cinema, dança, música, literatura e teatro, também estão em exibição depoimentos de autores como Alice Ruiz, Bruna Beber e Joca Reiners Terron.

A interatividade vai longe, com a recriação 3D de obras famosas retratando o Brasil como era antigamente. O Ciclograma, como é chamado, proporciona andarmos em ruas e prédios antigos como em um “videogame” e conhecermos melhor a história brasileira.

Segundo a fundação, a exposição foi movida pelo sonho do fundador do banco, Olavo Setubal, que iniciou sua coleção de obras de arte, documentos, objetos e livros em 1969. Sua primeira aquisição foi o quadro “Povoado numa planície arborizada”, de Frans Post, que hoje é exibido no núcleo O Brasil Holandês do Espaço Olavo Setubal.

Daniela Marsico, de 14 anos

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Biblioteca fica aberta até domingo!

A Flipinha montou uma biblioteca no antigo cinema, para as crianças, que está funcionando neste período da Flip e fica aberta até domingo, dia 5.

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Nossa equipe conversou com Gabriela, mediadora na biblioteca, que nos contou que o espaço funciona entre 8h e 17h e está aberto para todas as crianças e pais, irmãos… A biblioteca fica localizada na Praça da Matriz, Centro Histórico, ao lado do restaurante Bartholomeu, e conta ainda com a participação dos escritores como mediadores, realizando brincadeiras e debates para entreter e alegrar a criançada.

Não deixe seus filhos de fora!

Pedro Alegria, de 17 anos

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Falando alemão

Dentro das comunidades do Morro do Alemão, Manguinhos e Rocinha, existe um trabalho comunitário que agita culturalmente a vida dos moradores. Um dos resultados deste trabalho é a revista Setor X, na qual artes visuais, fotografia e literatura se unem para mostrar de maneira lúdica o cotidiano e histórias das mais diferentes pessoas que moram no Rio de Janeiro.

O mediador e diretor do trabalho comunitário, Carlito Azevedo, contou que na maioria das vezes, quando se fala de periferia, é comum o pensamento de que há apenas a necessidade de se transformar a rebeldia em obediência, assim como “a periferia só pode falar de periferia”. Diferentemente disso, ele encontrou uma vontade de construção e alegria nas pessoas, e assim descobriu uma explosão cultural nas comunidades. “Cada um deles possui um universo particular infinito, que, direcionados por exercícios do projeto, se tornaram arte”, observou.

Durante a mesa, Geovani Martins, Deocleciano Moura e Katjusch Hoe leram poemas autorais, falaram um pouco de seu dia-dia e conquistaram o público com suas histórias. Ficou claro que a periferia é um lugar a ser explorado culturalmente, mas que na maioria das vezes é visto como um problema a ser remediado e não solucionado.

Luy Albino

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‘Livro nunca vem só’, diz angolano Ondjaki

Na última quinta-feira, 2, a Casa da Cultura recebeu o escritor angolano Ondjaki e a brasileira Rita Carelli, com mediação de Cristiano Recksziegel, do canal Futura. O encontro fez parte da programação da FlipZona.

Ondjaki é escritor de poemas e contos, colecionando vários prêmios pela qualidade de suas obras. Carelli viveu parte da infância entre índios e acaba de iniciar sua carreira com a publicação de uma coleção de livros em edições bilíngues.

Durante a mesa, o mediador Recksziegel perguntou aos escritores como tiveram o primeiro contato com a literatura. “Sou de uma família de leitores e quando era pequena me marcou muito uma coleção da Ciça Fittipaldi, sobre indígenas”, lembra Rita. Todo mês, conta ela, quando a mãe recebia o salário, a família ia no domingo seguinte a uma livraria e escolhia um livro, como um ritual familiar.

“As historias não são fronteiras, são o que vêm do coração” – Ondjaki

Já com o Ondjaki, o primeiro contato foi mais tarde.“Uma vez eu disse a uma jornalista que tinha começado a ler muito tarde, aos doze ou treze anos e ela escreveu um título: ‘Escritor angolano  analfabeto até os treze anos’”, conta ele. “Mas não quis dizer isso, me referia ao fato de ter começado a ler tarde com consciência de leitura. Tanto que eu me lembro como foi quando meu pai trouxe meu primeiro livro, que se chamava ‘Por que corre, Sammy?’. Para mim, os livros são sempre pontes, como um escritor angolano diz  ‘livro nunca vem só, por que remete para outras coisas que já estão dentro de ti’. Isso que é entender o livro”.

“A escrita interior vai se fazendo com a vida. Então as fronteiras não são tão importantes.” – Rita Carelli

Quando perguntado sobre a situação de Angola, Ondjaki diz que, mesmo sendo um local com muitas riquezas, diversas pessoas não conseguem acesso nem mesmo aos direitos básicos.“Um país rico não é um país que tem ricos, mas é um pais que tem menos pobres. Um país rico é um país com mais possibilidades e menos desigualdades. Logo, a Angola não é um país de muitas riquezas”, lamenta.

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Nossa equipe teve a oportunidade de conversar com a Rita Carelli, sobre suas experiências na tribo indígena na qual viveu ora como menino, ora como menina durante a infância. “Foi ótimo para mim, pude desfrutar do melhor dos dois mundos, já que nunca fui boa em tarefas femininas, sempre fui melhor em tarefas masculinas. Como arco e flecha, manejar uma canoa, nadar. Mas com fui uma branca no meio dos índios, isso não tinha muita importância.”

Também conversamos com Ondjaki e perguntamos se ele tem um filósofo preferido. “Meu filosofo preferido é uma árvore qualquer, é uma árvore quando se abana, uma árvore qualquer”, diz ela.

Textos: Braz Mendes, Beatriz Oliveira, de 15 anos, e Jadson Nilton, de 14

Fotos: Pedro Alegria, de 17

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Jessé Andarilho e Nando Cunha falam sobre periferia, literatura e arte durante bate papo

A Casa da Cultura de Paraty recebeu na manhã desta sexta-feira, 03, o bate papo “Origem periferia: um encontro sobre literatura e arte” com o escritor Jessé Andarilho e o ator Nando Cunha. Ambos do mesmo universo, ambos com a mesma vontade de fazer diferente.

Bate papo com Jessé Andarilho e Nando Cunha na Casa da Cultura

Bate papo com Jessé Andarilho e Nando Cunha na Casa da Cultura

Jessé, margilanizado, repetente, odiava ler. Esses itens parecem um prato cheio para criar um adulto sem cultura, problemático e sem estímulo de vida. Mas a história foi diferente. Jessé da Silva Dantas, hoje Jessé Andarilho é o exemplo de como a força de vontade e o desejo de fazer diferente são fundamentais para despertar nos jovens o interesse pela leitura. “As pessoas pensavam na distância de onde eu morava, eu só pensava em ter mais duas horas pra escrever”, lembra Jessé, que escreveu grande parte do livro no celular, enquanto estava dentro do trem voltando pra casa. O livro ‘Fiel’ narra o ambiente em que Jessé vivia e as histórias que viu sendo morador de Antares, favela da zona Oeste do Rio de Janeiro.

O escritor transformou o preconceito das pessoas em “coletividade” e acredita que para conquistar algo, o morador da periferia não deve esperar ser visto e ajudado por ninguém, ele precisa conquistar seu lugar. “As coisas que pareciam impossíveis eu nunca acreditei. Enquanto as pessoas falavam pra pra eu fazer networking, eu fiz amigos”, conta o jovem autor.

A história também foi parecida com o ator Nando Cunha. De origem pobre, teve que batalhar desde cedo, para conseguir seu espaço. “Não é mágica, você tem que se movimentar”, diz o ator, que chegou ao auge da carreira com o personagem Pescoço, na novela Salve Jorge em 2012. Durante a rodada de perguntas, Nando ressaltou que só ter talento para a interpretação não foi suficiente, foi necessária muita leitura, que foi o diferencial para sua carreira.

Duas histórias de vida com muita luta, mas também com muito sucesso, mostrando que a literatura é uma das peças fundamentais em qualquer área. Através dela se tem conhecimento e é ele que impulsiona as idéias e transforma o mundo.

Kelly Helena

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Sobre o show de Luís Perequê

Este ano o show de abertura da Flip foi realizado pela “prata da casa”, como falou o curador da Flip, Paulo Werneck, na abertura do evento. Foi feito para e por pessoas que vivem em Paraty. Dani Lasalvia e o grupo Os Caiçaras também participaram da festa.

O show aconteceu na tenda da Flipinha, na quadra em frente à Praça da Matriz. Começou com o coral de crianças, que cantou com Perequê, e foi seguido da linda apresentação de Dani. Luís Perequê voltou ao palco para cantar com Os Caiçaras – ponto alto da noite, quando todos aplaudiram muito.

Para fechar a noite com o clima de valorização à cultura paratiense, o artista recitou seu poema “Aves e Ervas”:

Aves e Ervas
(Luis Perequê)

Madrugada se levanta, canta galo, tudo canta…
Beira de mar, Mata Atlântica!
Suave canção de aves, cheiro de erva pisada,
Trilha, trabalho, renda de orvalho,
Tramam tratores, novas estradas.
É a mentira do progresso mudando o rumo dos versos
Casa de aves e ervas, virando areia e deserto
Matas mortas, morros calvos e os corvos cuidam do resto
O povo vence o grileiro, mas não vence os projetos
Da mentira dos políticos mascarados, desonestos.
No canto bravo do Sono, vou deixando um manifesto
Adeus, adeus curupira, caipora e insetos
Os guardiões naturais não têm armas pro concreto
Mata Atlântica te levanta, deixo meu peito aberto
Pra te guardar na lembrança, pra te contar pros meus netos
No registrar dos meus olhos vou te cantar nos meus versos
Se pudesse eu te dava as asas do pensamento
Quem sabe te guardaria do jeito que eu te penso
Criando os teus nativos, crescendo no teu silêncio
Bem longe desses projetos de pseudo crescimento
Que prometem melhoria e trazem arrependimento
Porque vem os condomínios com o fascínio do dinheiro
E o pescador troca a rede pela colher de pedreiro
Depois só volta na praia, de gari ou faxineiro
A estrada do político não foi feita pro roceiro
Só serve pra o levar no dia de ir limpar o lixo dos forasteiros
E a cultura é esmagada, como se deu tantas vezes
Trocamos trovas da roça por batuques e farofas
Ou silêncio pros burgueses
E assim começa outra história porque é o fim da estrada
Não tem matas, não tem aves, não tem ervas, não tem nada
Tem uma cerca, um portão, um caiçara de farda
E uma placa, atenção: É PROIBIDO A ENTRADA.

Por Hudson Torquato.
foto: luispereque.blogspot.com.br

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Crianças e adultos curtiram o Arte na Praça

A arte na praça aconteceu nesta sexta, 03, na Praça da Matriz. Muitas crianças esperravam chegar esse dia que, para eles, é o melhor dia da Flip, pois reúne diversas oficinas, como: barquinhos, origami, máscara em gase engessada, pulseira de miçanga e muito mais.

Enquanto assistíamos ao evento, optamos por não considerar apenas a opinião das crianças que curtem o Arte na Praça, mas também de alguns adultos que lá no fundo têm um coração de criança! Eles também se divertem e até aproveitam para fazer objetos de decoração para suas casas, como os barquinhos. Esses adultos trazem as crianças, mas acabam aproveitando tanto quanto elas.

“O arte na praça não é só para crianças, não mesmo! Adoro. Quase sempre estou aqui com meu filho para brincar um pouco!”, afirmou Marcos, de 35 anos, num tom bem humorado.

E quem diria que iríamos sair na praça e encontrar a Emilia, do Sítio do Pica- Pau amarelo? Essas coisas nós só encontramos aqui na Flip – a magia acontece e as crianças adoram! Abordei a Emilia – ou Taciane de Oliveira – que disse: “As crianças adoram isso, se divertem e acabo me divertindo com elas.”.

Além disso, o pessoal do CN (Curso Normal) aproveita para colocar o talento de mímico em prática e curtir um pouco, às custas de quem curte a festa. A tarefa deles é super divertida – ficam passeando e imitando as pessoas que vão passando.

Rayane Carvalho, de 15 anos, levou sua irmã Manoela, de 4, para passear, e acabou tendo bastante trabalho: “Nossa, trouxe minha irmã aqui e ela quer ir em tudo que vê! Mas eu adoro isso!”, disse.

O Arte na Praça é amor pelas crianças – e para os pais!

Carlos Eduardo Oliveira, 14 anos.

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Nudez além do corpo

Desde a Antiguidade, o nu é explorado em vários ramos da arte. Da escultura à fotografia, o corpo foi retratado ao longo do tempo segundo os padrões de beleza de cada época. Embora normalmente seja associado ao erotismo, o nu artístico nem sempre apresenta caráter sensual, podendo ser representado sob diversos pontos de vista, seja como uma crítica social ou simplesmente uma análise da anatomia humana.

O artista e arquiteto italiano Cesare Pergola, de 60 anos, residente em Paraty desde 2009, expôs recentemente um projeto fotográfico chamado “A medida do corpo”, onde explora a dinâmica do corpo humano sob uma malha de luz ortogonal, onde o erotismo acaba se tornando um elemento natural. “A realidade imita o virtual”, diz Pergola, explicando a mistura do real com o mundo da internet. Neste caso, o artista evidencia o movimento corporal em vez da sensualidade, criando assim um erotismo soft, como ele próprio define.

O arquiteto italiano, Cesare Pergola.

O arquiteto italiano, Cesare Pergola.

Já a paratiense Brisa de Souza, de 22 anos, em seu projeto “Prato do Dia”, exposto na Casa da Cultura entre maio e junho, buscou o nu como forma de crítica ao consumismo, inspirando-se no livro “A sociedade do espetáculo”, de Guy Debord. Segundo a artista, o ser humano é apenas uma moeda de troca. “Trocamos tempo por dinheiro”, diz. Sua proposta é uma forma de fotografia sem nenhum tipo de edição, tendo o nu como elemento principal. Suas maiores inspirações são os fotógrafos Sebastião Salgado e Phelipe Paranaense.

Brisa de Souza, Luy Firmino, Jessica Maximiano e Aghata Saez.

Brisa de Souza, Luy Firmino, Jessica Maximiano e Aghata Saez.

Os dois artistas mostram não apenas o lado erótico do nu, mas sim, suas visões poéticas sobre o corpo o que não acontece hoje em dia no meio dos jovens que utilizam a tecnologia para explicitar o nu de outra forma, banalizando o erotismo.

Aghata Saez, Jessica Maximiano e Luy Firmino.

Publicado em 2015, Sem categoria | Deixe um comentário

Flip contribui para o crescimento de Paraty

Desde as primeiras edições, a Flip promove o incentivo à leitura e à cultura. Com público significativo, o festival desperta diversas opiniões, tendo em vista a abrangência dos assuntos. Entretanto, são os paratienses que podem analisar, de uma maneira mais próxima, o verdadeiro legado da festa literária para a cidade.

Entre festas religiosas e eventos relacionados à cultura local, a Festa Literária Internacional de Paraty mostra uma face diferenciada da cidade. Marcelo, vendedor autônomo de doces, acredita que a maior herança da Flip seja a geração de emprego. Segundo ele, os trabalhos gerados pelo festival e realizados pelos moradores locais são as principais relações entre o evento e a comunidade. “É um festival indispensável e já se tornou a cara de Paraty.”.

Lúcio Cruz, artista plástico

Lúcio Cruz, artista plástico

Raquel Mello, comerciante do bairro histórico, também considera que a festa ultrapassa os limites culturais, beneficiando, principalmente, a economia paratiense. Para ela, o lucro da festividade favorece o comércio local, que aproveita da grande movimentação durante estes cinco dias.

Outro ponto destacado é a visibilidade da cidade. Lúcio Cruz, artista plástico local que presencia há anos a festa, diz que o evento contribui muito para que a cidade fique cada vez mais em evidência: “Paraty já era bem conhecida e ficou mais ainda com a chegada da Flip”.

Cultura, empreendedorismo, investimento e turismo a favor da população, que vê na Flip oportunidades de desfrutar o conhecimento através da literatura e ainda contribuir com o crescimento de Paraty.

Roberta Malvão, 17 anos, Marina Luiza, 19 anos, Isadora Rosa, 17 anos, Mateus Melo, 17 anos

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Rolou oficina com a Globo News na Central

Na tarde de quinta, dia 2, a Central FlipZona recebeu como convidados os jornalistas Anna Karina Bernardoni, Julio Lisboa e Antonia Martinho, da equipe de reportagens especiais  da Globo News.

Os jornalistas da Globo News deram várias dicas para a galera.

Eles debateram questões sobre mudanças na forma de se fazer televisão, equipamentos, maneiras mais rápidas de trabalhar, organização de pautas, áudio e, principalmente, sobre o uso do celular na reportagem atual. Deram dicas úteis sobre como melhorar textos, vídeos jornalísticos e o trabalho em equipe, sempre de forma divertida e prazerosa.

A oficina foi finalizada com perguntas do público sobre as agressões que os jornalistas sofrem em algumas reportagens especiais, a quebra dos princípios da televisão brasileira e até mesmo sobre a dificuldade de entrevistar pessoas envolvidas com a política.

A palestra gerou comentários e discussões que, com certeza, vão ajudar na melhora do desempenho de todos nós.

Nathália Nascimento, 14 anos.

Publicado em 2015 | Deixe um comentário

Telões facilitam o acesso às mesas da programação principal

Está de volta um sucesso das ultimas edições da Flip – e não é de um autor que estamos falando. Estamos falando dos telões, instalados na parte de fora da Tenda dos Autores.

Eles são uma maneira de, mesmo sem ingresso, todos terem a chance de acompanhar suas mesas favoritas. São quatro telões colocados ao redor da tenda, abertos ao público, com transmissão ao vivo das mesas que acontecem ali dentro.

As opiniões não divergem quando se trata dos telões: todos adoram!

A estudante Barbara Siqueira, de 18 anos, acredita que os telões facilitam a vida dos próprios estudantes, que nem sempre tem a oportunidade de participar das mesas de dentro da tenda: “Uma oportunidade de deixar a Flip com uma cara mais popular, facilitar o acesso para quem não pode comprar os ingressos.”.

Sergio Braga, morador de Niterói de 70 anos, observou: “Já é minha décima Flip, e eu vejo que esses telões promovem a democratização. Eu acho até mais confortável, no sentido de que se eu não estiver gostando da palestra, estiver com tédio, eu posso sair quando quiser, sem faltar com a educação.”.

Com os telões, não há desculpas para perder as mesas da Flip 2015!

Juan Pablo, de 17 anos, e Isabel Dias, de 18.

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Diversidade sexual em pauta

A diversidade sexual ainda hoje é um tema delicado de se falar. Mas o tema não passa despercebido na Flip e nem pela equipe da FlipZona. Saímos pelas ruas para saber o que as pessoas que estão em Paraty, entre gays, lésbicas e heterossexuais, pensam sobre isso.

Estudante aqui de Paraty, Márcia, de 16 anos, conta que é bissexual e que às vezes sofre preconceito por isso, mas nem sempre é assim. “Estamos no século 21 e ainda tem gente que tem preconceito. As pessoas deveriam respeitar o direito da sexualidade de cada um”, diz ela.

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A sexualidade ainda hoje é um tema difícil de se abordar porque há muita gente intolerante, homofóbicas e preconceituosas. É normal vermos na rua gays ou lésbicas se beijando, mas ainda há um grande preconceito e pessoas que não aceitam.

Perguntei para Paula Sousa, que passeava à tarde tarde por Paraty, qual a diferença de um beijo entre pessoas de sexo oposto para um beijo gay. Sua resposta foi muito boa, ela disse: “Muita gente ainda pensa que essa diferença é como a que existe entre biquíni e calcinha. Um poderia usar em público o outro não”, diz ela, que discorda dessa ideia. “As pessoas têm de ser livres de verdade”.

Entrevistamos também um casal gay que contou como é difícil ir para uma praça e se beijarem. “As pessoas acham que nós não somos normais, porém eu nem ligo mais pra eles, eu faço o que me faz feliz!”, disse um deles, que está em Paraty por causa da Flip. O casal, inclusive, pediu para não ser identificados no texto e na foto.

No banco da praça, encontramos quatro garotas que são bissexuais. Elas têm entre 14 e 18 anos e disseram que têm vergonha de se beijar em público por causa do preconceito, mas acabam levando tudo com bom humor. “Eu nasci assim, eu cresci assim”, diz uma delas, citando a música Gabriela.

Para aprofundar a abordagem sobre o tema, também acompanhamos uma palestra sobre “Sexo” com a escritora e jornalista Roseli Tardelli. “Hoje nós podemos escolher o que queremos para a nossa vida. Gente!! Vamos para com esse preconceito ridículo que isso não vai levar vocês a lugar nenhum. Aceite o próximo do jeito que ele é e o mundo vai ser um lugar melhor”, disse ela que, que é lésbica e não tem vergonha nenhuma de dizer.

Para Roseli, é um orgulho, não uma vergonha! Afinal, toda forma de amor é válida!

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Carlos Eduardo Oliveira, de 14 anos e Julia Magalhães Ratzke, de 14.

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